Um em cada três peixes nunca chega ao prato, diz relatório da FAO

Aquacultura já fornece mais de metade do peixe que se consome a nível mundial.

Sardinha, produtos de peixe
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NELSON GARRIDO

Um em cada três peixes capturados em todo o mundo nunca chega ao prato por ser atirado de volta à agua ou por apodrecer antes de ser consumido, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O mais recente relatório da organização sobre a pesca, divulgado esta segunda-feira, revela que 35% das capturas mundiais são desperdiçadas. Cerca de um quarto dessas perdas devem-se sobretudo à pesca de arrasto em que os peixes muito pequenos ou espécies indesejadas são deitadas fora. Por outro lado, a maioria das perdas devem-se a falta de conhecimento ou de equipamento de refrigeração para manter o pescado fresco.

O documento mostra também que a produção total de peixe atingiu um novo recorde fruto da aquacultura, sobretudo na China. A produção global de peixe atingiu as 171 milhões de toneladas em 2016, com a aquacultura a representar 47% do total. Esta actividade já é dominante no peixe que comemos já que significa 53% do total registado pela FAO em 2016, excluindo o que não é usado na alimentação humana. É também preponderante na economia ao representar dois terços dos mais de 360 mil milhões de euros do volume de vendas.

À escala mundial, a pesca emprega 69 milhões de pessoas e envolve 4,6 milhões de barcos, números que preocupam a FAO por considerar que há demasiadas embarcações a tentar capturar poucos peixes.

Desde a década de 1980 que os números da captura de peixe (que inclui moluscos) se mantêm relativamente inalterados, mas um terço das espécies de peixe são alvo de pesca excessiva.

O director-geral da FAO José Graziano da Silva sublinha, citado pelo The Guardian, que “desde 1961 que o crescimento do consumo anual global de peixe tem sido o dobro em relação ao crescimento da população, demonstrando que o sector da pesca é crucial tendo em conta o objectivo da FAO de um mundo sem fome e má nutrição”.