Macron foi a Versalhes mostrar-se humilde mas diz-se "determinado" a continuar reformas

Presidente francês foi criticado por alguns deputados que classificaram a sessão no palácio de "deriva monárquica".

Macron falou uma hora e meia no seu discurso em Versalhes
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Macron falou uma hora e meia no seu discurso em Versalhes CHARLES PLATIAU/EPA

Num discurso de uma hora e meia, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu as suas políticas numa altura de popularidade baixa, afirmando estar preocupado com justiça social e dizendo-se “humilde mas determinado” após pouco mais de um ano no cargo.

Uma série de deputados criticaram o Presidente por fazer uso da prerrogativa de reunir a Assembleia e o Senado, no Palácio de Versalhes, para o ouvir, num discurso semelhante ao do Estado da União nos EUA, e boicotaram a sessão que classificam como uma “deriva monárquica”.

A possibilidade deste discurso foi criada por Nicolas Sarkozy numa alteração constitucional em 2008, mas nem Sarkozy nem o seu sucessor, François Hollande, usaram esta prerrogativa mais do que uma vez.

Um Macron em início de mandato fez este discurso no ano passado e já disse que irá fazer o discurso todos os anos e anunciou que tentará mudar a Constituição para que os deputados possam fazer perguntas ao Presidente após o discurso.

O Presidente defendeu políticas que lhe têm valido críticas – e aproveitou até para mostrar alguma modéstia, nota o diário Le Monde. "Não consigo fazer tudo", disse o Presidente. É significativo quando tem sido acusado de arrogância (o vídeo em que admoesta um rapaz que lhe chamou Manu foi dado como exemplo desta falta de humildade) e de alguém com pouca empatia (a renovação de pratos de porcelana do Eliseu e os planos para construir uma piscina na residência de Verão em altura de cortes da despesa pública causaram polémica). 

O Presidente justificou a descida de impostos para as empresas, medida que lhe valeu o cognome de "Presidente dos ricos", dizendo que é preciso mais prosperidade em França, já que esta “é a base de toda a justiça”. “Uma política para os negócios não é uma política para os ricos”, defendeu. “Se quisermos dividir o bolo, temos de fazer com que o bolo cresça. E a verdade é que são as empresas e empreendedores que o fazem crescer”.

Admitiu que há uma grande imobilidade social no país apesar de o grau de desigualdades em França ser menor do que noutros países. “O que há em França é uma desigualdade do destino”, declarou, prometendo medidas nas áreas da educação e saúde para combater esta imobilidade.

Macron tem sido também criticado por medidas como a reforma do código do trabalho, e anunciou agora que vai haver mais cortes na despesa pública a anunciar “nas próximas semanas”, no que pode levar a mais descontentamento. Numa sondagem no diário Le Figaro 71% dos inquiridos consideraram as políticas de Macron “injustas” e 65% “pouco eficazes”.

O Presidente alertou para o facto de as medidas já aprovadas precisarem de tempo para resultar, mas prometeu continuar, anunciando prazos para algumas reformas: da saúde no Outono de 2018, do sistema de apoio do desemprego na Primavera de 2019, um plano de luta contra a pobreza em 2019, e as reformas “a partir de 2019”.