“A diversidade na língua não compagina com actos ditatoriais”

Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa é o tema de um colóquio que a Academia das Ciências de Lisboa promove esta terça-feira, dia 10, a pensar nas línguas maternas.

Artur Anselmo, Academia de Ciências de Lisboa
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Artur Anselmo, presidente da Academia das Ciências de Lisboa JORNAL PÚBLICO

A Academia das Ciências de Lisboa promove esta terça-feira, por iniciativa do seu presidente, Artur Anselmo, um colóquio subordinado ao tema Unidade e Diversidade da Língua Portuguesa, com participação de académicos, professores e autores portugueses mas também brasileiros e africanos. “O colóquio decorrerá durante todo o dia”, diz ao PÚBLICO Artur Anselmo, “com três conferências de cerca de meia hora cada, não mais, e umas 20 a 30 comunicações de 20 minutos. A primeira conferência, de abertura, é feita pelo professor Adriano Moreira, com um título sugestivo: ‘A Língua não é nossa mas também é nossa’; a conferência da tarde é feita pelo Manuel Alegre, que falará, como grande escritor que é, em nome da língua portuguesa viva, dos escritores; e na conferência de fecho, feita por mim, tratarei do direito à diferença, um tema que me agrada muito, no respeito pelas línguas maternas.” O colóquio começa às 9h, no salão nobre da Academia, e terminará por volta das 19h com um intervalo das 13h às 15h.

O que motiva este colóquio é uma preocupação, já antiga, do presidente da Academia das Ciências quanto ao futuro das línguas maternas. Ele explica: “A Língua Portuguesa tem de conviver, cada vez mais, em boa paz, com as outras línguas. Porque nós não podemos alienar um património riquíssimo de línguas maternas. São as dezasseis de Moçambique, são as doze de Angola, são os crioulos. Depois o português vai-se adaptando, como diz o Manuel Ferreira, como diz o Mia Couto. E eu acho que a diversidade não compagina com actos ditatoriais.” Isto aplica-se à convivência entre as línguas maternas ou os crioulos e as variantes que assume a língua portuguesa em cada país, mas também à ortografia, que, embora não sendo tema deste colóquio (foi-o de um anterior, Ortografia e Bom Senso, em 2015), estará presente nalgumas comunicações. Artur Anselmo: “O uso da língua tem de ser um acto de civismo: respeitar os outros, respeitar as línguas maternas, respeitar as áreas dialectais, respeitar os falares (vai haver uma comunicação sobre falares brasileiros, que não são dialectos, são falares!). Como diz Adriano Moreira, a língua não é nossa mas também é nossa. Por isso vamos insistir: a diversidade é um ponto importante. E eu vou apresentar uma comunicação sobre os direitos linguísticos das minorias.”

Além dos nomes já citados, participarão ainda no colóquio, pela ordem das intervenções anunciadas, José Eduardo Agualusa, Vera Duarte, Ivo Miguel Barroso, Rafael Gomes Filipe, Olivier Pellegrino, padre António Colimão, Ana Maria Martinho, Luís Filipe Reis Thomaz, Maria do Carmo Vieira, João Abel da Fonseca, Fátima Roque, Teresa Lino, Deonísio da Silva, António Callixto, Carmen de Frias e Gouveia, João Bigotte Chorão, Celso Augusto da Conceição, Annabela Rita, Fernando Paulo Baptista, Duarte Ivo Cruz e José Carlos Gentili.