Equipas de resgate em “guerra contra a água e o tempo” para salvar rapazes presos na gruta

Jovens enviaram cartas emocionadas para as famílias, partilhadas nas redes sociais pela Marinha tailandesa. Missão de resgate ameaçada com chuvas fortes.

Tham Luang
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EPA /ROYAL THAI ARMY HANDOUT

As equipas de resgate estão numa “guerra contra a água e o tempo” para conseguir tirar as 12 crianças e um adulto que estão há vários dias encurralados numa gruta da província de Chiang Rai, no Norte da Tailândia. Numa altura em que fortes chuvas atingem o local, o grau de dificuldade dos trabalhos de salvamento aumentou dramaticamente.

Com os níveis de oxigénio a diminuir dentro da gruta, e intensas tempestades previstas para os próximos dias, a margem temporal para ensinar os jovens jogadores de uma equipa de futebol a mergulhar para poderem sair é cada vez mais reduzida. De acordo com o líder da equipa de resgate, Narongsak Osottanakorn, citado pela Reuters, os próximos três ou quatro dias poderão ser decisivos para o salvamento.

“A situação actual, com os níveis de ar e de água e a saúde dos rapazes, é a melhor até agora”, disse Osottanakorn. “Continuamos em guerra contra a água e o tempo”.

A Marinha tailandesa partilhou este sábado, nas redes sociais, um conjunto de cartas redigidas pelas 12 crianças e treinador. Nessas cartas, dirigidas aos pais, os rapazes partilham mensagens de esperança e optimismo, e garantem estar fortes e de boa saúde. Já o treinador pede desculpa por ter contribuído para a situação dramática em que se encontram.

“Pai e mãe, por favor não se preocupem, só estou fora há duas semanas. Estarei em casa brevemente”, escreveu Ekarat Wongsukchan, de 14 anos, citado pela Reuters, antes de deixar uma promessa: “Irei ajudar a mãe na loja todos os dias”.

“Estamos bem. Não se preocupem, somos todos fortes”, afiança outro rapaz.

Nas linhas redigidas pelas crianças houve igualmente espaço para alguns pedidos mais invulgares. Houve quem pedisse aos pais para os levar a jantar fora, quem tenha pedido para mandar um churrasco típico tailandês para a gruta e até quem tenha pedido aos professores que “não dêem muitos trabalhos de casa para fazer” quando regressarem à escola.

O treinador da equipa de futebol que ficou presa nas grutas Tham Luang – devido à subida do nível das águas que inundou várias secções das mesmas – também escreveu aos pais dos rapazes, pedindo perdão. “Caros pais, agora todos os rapazes estão bem, as equipas de socorro estão a tratar-nos bem. Prometo que cuidarei deles da melhor forma que conseguir. E peço desculpas sinceras a todos”, escreveu Ekkapol Chantawong, de 25 anos.

As famílias reagiram às palavras do treinador, garantindo que não o culpabilizam pela situação. “Os pais e as mães não estão zangados consigo. Obrigado por ajudar a cuidar dos nossos filhos”, afirmou um dos pais, citado pela BBC.

As cartas foram entregues às famílias dos jovens por um grupo de mergulhadores britânicos, depois de fracassada a tentativa de instalação de uma linha telefónica.

A situação dentro da gruta continua a ser muito sensível e sem uma solução óbvia à vista para o resgate. A morte de um mergulhador experiente na sexta-feira pôs em evidência a dificuldade extrema de colocar em prática um dos planos das autoridades, que passa por resgatar as 13 pessoas, debilitadas e sem experiência de mergulho, ao longo de um sistema de grutas com quatro quilómetros de extensão, a cerca de 1000 metros de profundidade, com secções inundadas e através de passagens onde só cabe uma pessoa.

Esperar pela descida do nível das águas dentro da gruta também não parece ser solução. Em plena época de monções, os rapazes poderiam ser obrigados a aguardar durante meses para poder escapar a pé. É que apesar de já terem sido bombeados milhões de litros de água para o exterior, as chuvas fortes previstas para este domingo deverão voltar a provocar a inundação do local.

Pelo sim, pelo não, os rapazes estão a ter aulas de mergulho e técnicas de respiração. Para além disso, as equipas de socorro já escavaram mais de 100 buracos na superfície, na busca de uma via mais directa para chegar até aos 13 encurralados, que se acredita estarem a 600 metros de profundidade.