Porto

Câmara do Porto quer um novo centro de saúde em Azevedo de Campanhã

Município quer acordo com a Administração Regional de Saúde e o Ministério da Saúde para mudar unidade para novas instalações
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Em 2013, a população protestou contra o anunciado encerramento do centro de saúde Adriano Miranda

Foi um dos primeiros protestos que Rui Moreira teve de enfrentar assim que chegou à presidência da Câmara do Porto e, segundo o seu actual vereador da Habitação e Coesão Social, Fernando Paulo, continua por resolver. O centro de saúde de Azevedo, em Campanhã, cujo anúncio de encerramento em 2013 motivou manifestações de protesto, está a funcionar em situação de “grande insalubridade”. Fernando Paulo garante que estão em curso negociações para “a câmara assumir a sua responsabilidade com instalações novas”.

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No início de Novembro de 2013 os utentes do centro de saúde que serve uma das zonas mais carenciadas da cidade – os lugares de Azevedo, S. Pedro e o Bairro do Lagarteiro – foram confrontados com a decisão da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) de encerrar, definitivamente, dali a dois dias, aquela unidade, alegando “motivos relacionados com a segurança do edifício e como medida de precaução”.

O processo acabaria por ser travado, com a realização de algumas obras de emergência que permitiram que o centro estivesse encerrado apenas durante algumas semanas, reabrindo antes do final daquele mês. Posteriormente, o centro de saúde seria um dos equipamentos contemplados na Carta de Equipamentos de Cuidados de Saúde Primários da cidade, acordada entre a câmara e a ARSN, mas o seu futuro nunca foi completamente clarificado.

A Carta apontou o espaço como não tendo condições para funcionar, mas defendia que ele não deveria simplesmente encerrar, dada a fragilidade da população que servia. Ficou estabelecido que “até ao final do primeiro trimestre de 2017” deveria ser feito “um plano e calendário de intervenção” para aquele local.

Esta terça-feira, na reunião do executivo, Fernando Paulo dirigiu-se ao seu antecessor, o socialista Manuel Pizarro, para lhe dizer que o caso continuava por resolver. “O senhor assinou um memorando, mas nunca resolveu o problema”, acusou, depois de o socialista ter alertado a câmara para um problema de insalubridade num conjunto de casas na Rua da Levada, também em Campanhã.

Fernando Paulo garantiu que já foi pedida uma reunião à ARSN “no sentido de resolver” o problema do centro de saúde, garantindo que a câmara está disponível para “assumir a sua responsabilidade em instalações novas”.

No final da reunião, aos jornalistas, o vereador reiterou que o município está disponível para negociar com a ARSN e o Ministério da Saúde uma solução para aquele local, mesmo não sendo um assunto da competência da autarquia. A contrapartida poderá passar pela garantia de acesso dos utentes a serviços mais alargados, como a saúde oral. O novo espaço permitirá “disponibilizar serviços de qualidade, porque as actuais instalações são limitativas para que se possa prestar outro tipo de serviços à população”, disse.

Segundo foi possível apurar, o processo ainda está numa fase inicial, e a câmara não adianta, por enquanto, onde pretende instalar o futuro centro de saúde de Azevedo ou se este poderá manter no mesmo local. Aquando do anúncio de encerramento em 2013, foi proposto aos utentes que utilizassem, em alternativa, as unidades de saúde do Ilhéu ou de S. Roque da Lameira, o que foi recusado pela população, maioritariamente envelhecida e com dificuldades de mobilidade.