Há 30 cursos superiores a garantir emprego a recém-diplomados

Ministério analisou quantos diplomados entre 2012/13 e 2015/16 estavam inscritos no IEFP em 2017. A duas semanas do concurso nacional de acesso às universidades, apresenta informação curso a curso. No ensino público, desemprego baixou para 5,5%.

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Adriano Miranda

Obter o diploma e arranjar logo trabalho? Há 30 cursos superiores com uma taxa de desemprego entre os recém-diplomados de 0%. Dez estão no ensino privado e 20 no público. Por exemplo, a licenciatura em Tradução e Interpretação de Português/Chinês e Chinês/Português, do Politécnico de Leiria. Ou as três licenciaturas em Teologia da Universidade Católica Portuguesa, os seis mestrados integrados de Medicina que existem no país e ainda três (de um total de 33) cursos de Enfermagem — a saber, os da Escola Superior de Saúde Egas Moniz, da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa e do Instituto Politécnico de Setúbal.

Juntam-se Ciências do Mar, da Universidade de Aveiro, Meteorologia, Oceanografia e Geofísica, da Universidade de Lisboa, ou ainda Música, variante de Execução, do Politécnico de Lisboa. Só para dar mais alguns exemplos.

De resto, há, em geral, menos recém-diplomados do ensino público no desemprego face aos últimos anos. E essa é a primeira conclusão de uma análise global aos mais recentes dados que, a partir desta sexta-feira, estarão disponíveis no portal Infocursos  — um instrumento útil para quem, daqui a duas semanas, vai ter de fazer opções sobre o seu futuro. É que o concurso nacional de acesso ao ensino superior público arranca no dia 18 deste mês.

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A taxa de desemprego entre os recém-diplomados foi calculada pela Direcção-Geral do Ensino Superior e pela Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. Para os que tiraram um curso numa instituição pública de ensino, é de 5,5%. Para os que se diplomaram no ensino privado, de 5,7%. Isto representa, face a 2016, no caso do ensino público, uma melhoria (era então de 7,2%) mas, no caso dos que frequentaram instituições privadas, um ligeiro agravamento (era de 5,4%).

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) define recém-diplomados como estudantes que terminaram os cursos entre os anos lectivos 2012/13 e 2015/16. No Infocursos 2018 — designação que é dada ao portal actualizado — foram considerados os que “se encontravam desempregados em Junho 2017 ou em Dezembro de 2017, calculando-se a percentagem média de desemprego registado nestes dois meses de referência”, esclarece o ministério. Esta informação é apresentada para 1147 licenciaturas e mestrados integrados.

Arquitectura, Comunicação Multimédia e Educação Ambiental — respectivamente da Universidade de Évora, do Politécnico da Guarda e do Politécnico de Bragança — aparecem com as taxas de desemprego entre recém-diplomados mais altas: 22% ou mais. Há, no total, 43 cursos com taxas de desemprego de 15% ou mais.

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Mas o portal Infocursos fornece várias outras informações, curso a curso, para “contribuir para apoiar as escolhas no acesso ao ensino superior”, sublinha o MCTES. Como ingressam os alunos no ensino superior? Que notas têm nas provas de ingresso? Com que notas terminam a sua formação? Onde estão um ano depois de se terem inscrito? — são apenas algumas perguntas para as quais é possível obter resposta.

A julgar pelos números, nem sempre se farão as melhores opções (ou as mais desejadas) na hora de escolher o caminho: um em cada dez alunos de licenciatura no ensino público (e 13,6% no privado) acaba por pedir transferência para outra formação um ano após ter ingressado na universidade ou instituto politécnico.

Outro dado: 8,4% dos alunos que se inscreveram no 1.º ano, pela primeira vez, numa licenciatura do ensino público, entre 2014/15 e 2015/16, já não estavam em nenhuma instituição de ensino do país um ano depois de terem ingressado.

São, ainda assim, resultados melhores do que os observados em anos anteriores. No ano passado, por exemplo, o Infocursos apontava para uma taxa de abandono de 8,7% e no ano anterior de 9,8%. No privado a taxa é sempre mais alta (12,7% é a mais recente, uma vez mais tendo em conta apenas as licenciaturas).

O Infocursos permite ainda pesquisar os cursos por tipo de aluno. Para ficar a saber-se, por exemplo, que há cada vez mais estudantes de nacionalidade estrangeira em todos os tipos de ensino — nas licenciaturas do ensino público, por exemplo, passaram de 8,1% para 9,1% num ano e nas do privado de 11,4% para 12%.

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É também possível observar em que cursos os estudantes obtêm o diploma com notas mais altas (a informação é, neste caso, disponilizada para 1291 formações). O recorde é batido na licenciatura de Canto Teatral do Conservatório Superior de Música de Gaia. Aqui foram analisadas as notas dos diplomados em 2014/15 e em 2015/16. Dez, neste caso. Média final: 17,2 valores.

Segue-se a licenciatura de Tradução e Interpretação: Português/Chinês, do Instituto Politécnico de Leiria: 28 diplomados, média de 17. E logo depois Direcção Musical, do Conservatório Superior de Música de Gaia, com apenas dois diplomados, e média de 17.

No outro extremo da lista estão Biologia (três diplomados), Engenharia Civil (21 diplomados) e Engenharia Electrónica e de Automação, respectivamente da Universidade da Madeira, do Instituto Politécnico de Castelo Branco e do Instituto Superior Politécnico Gaya. A nota média final oscilou entre os 11,7 e os 11,9 valores.

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