Tailândia

Mergulhador morre no resgate ao grupo de rapazes preso dentro de gruta

Foi a primeira baixa registada durante o resgate ao grupo de 12 crianças e do treinador, presos dentro de uma gruta no norte da Tailândia há quase duas semanas.
Foto
As operações de resgate continuam LUSA/RUNGROJ YONGRIT

Um antigo mergulhador da Marinha tailandesa morreu na madrugada desta sexta-feira por falta de oxigénio. O ex-militar, que se voluntariou para fazer parte da missão de resgate das 12 crianças e do treinador que estão presos dentro de uma gruta no Norte da Tailândia, perdeu a consciência enquanto instalava uma garrafa de oxigénio. Ainda tentou sair do complexo de grutas de Tham Luang, sem sucesso.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

“O seu trabalho era distribuir oxigénio. Mas não teve suficiente para voltar para trás”, disse o vice-governador de Chiang Rai, Passakorn Boonyaluck. O seu companheiro de mergulho conseguiu levá-lo para um local seguro, mas o mergulhador não resistiu.

Saman Guman, de 38 anos, deixou a Marinha tailandesa em 2006. Voltou temporariamente para ajudar no resgate ao grupo que está preso dentro de uma gruta há quase duas semanas.

“No caminho de volta, o segundo cabo Gunan desmaiou. O companheiro de missão tentou dar-lhe os primeiros socorros, mas ele não respondeu. Conseguimos trazê-lo para a câmara três e aplicámos-lhe outra manobra de primeiros socorros, mas continuou inconsciente. Por isso levámo-lo para o hospital”, contou o chefe dos comandos tailandês, Arpakorn Yookongkaew.

A operação continua, garante o chefe dos comandos. “Não estamos em pânico, não vamos deixar que o sacrifício do nosso amigo tenha sido em vão”, disse, citado pela BBC.

Mas o tempo escasseia. Escreve o Guardian que os níveis de oxigénio dentro da câmara onde estão os 12 rapazes desceram abruptamente para 15% — o nível normal de oxigénio no ar é, normalmente, 21%. Por isso, as autoridades estão a tentar instalar um tubo de fornecimento de oxigénio com mais de cinco quilómetros e 30 garrafas de ar ao longo da extensão da gruta.

Na quinta-feira à noite, as autoridades tailandesas informaram que três dos 12 rapazes estão desnutridos e mais fracos do que o resto da equipa. Há pelo menos quatro militares com o grupo, encarregados de monitorizar o seu estado de saúde, dar-lhes comida e verificar os níveis de oxigénio, conta o Washington Post.

Cerca de mil  pessoas estão envolvidas nas operações de salvamento, incluindo mergulhadores da Marinha, militares e voluntários civis de todo o mundo. Estão a ser usadas bombas de água para reduzir o nível de água e de lamas na gruta de oito quilómetros de comprimento, onde os rapazes ficaram presos quando a maré subiu. Devido à chuva forte dos últimos dias, a gruta tornou-se uma armadilha para estes rapazes, que têm idades entre os 11 e os 16 anos e não sabem nadar.

Há  duas outras opções de resgate. Uma delas passa por usar uma equipa de mergulhadores que retiraria os rapazes um a um - mas a viagem, para os profissionais, demora cerca de cinco horas. Outra é esperar que as águas vazem de forma natural, o que pode demorar meses. Por norma, esta gruta tailandesa fica inundada durante o período das monções, que podem durar até Setembro ou Outubro. Os socorristas estão também a estudar o exterior da gruta para tentarem encontrar outras formas de entrar.