Entraram numa reserva para caçar rinocerontes e acabaram comidos por leões

Um grupo de (pelo menos) dois caçadores furtivos entraram numa reserva natural sul-africana à procura de rinocerontes. Perderam-se e foram parar a um enclave de leões, onde foram devorados.

Leão da África Oriental
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Reuters/RADU SIGHETI

Pelo menos dois caçadores furtivos de rinocerontes foram comidos por leões, no início desta semana, na reserva de caça Sibuya no Sudeste da África do Sul. A informação foi confirmada na quinta-feira pelo dono da reserva.

Os caçadores entraram de forma ilegal na reserva durante a noite de domingo ou madrugada de segunda-feira, escreveu o dono da reserva de caça, Nick Fox, no Facebook. Foram encontrados restos mortais de pelo menos duas pessoas, mas o dono admite que possam ter entrado mais: “Ainda não se sabe quantos caçadores morreram, mas a equipa forense da polícia continua a investigar”, lê-se no comunicado.

Depois de conseguirem entrar na reserva, e enquanto procuravam rinocerontes para extraírem os chifres, os caçadores entraram acidentalmente num enclave de leões. E como se tratava de “um grupo grande”, com aproximadamente seis leões, os caçadores não tiveram “muito tempo para reagir” depois de se aperceberem do erro, contou Fox à agência noticiosa AFP.

Os restos mortais dos caçadores foram encontrados pelos guardas da reserva na terça-feira, pelas 16h30 (hora local, 14h30 em Lisboa). Uma equipa de combate à caça furtiva foi chamada ao local para averiguar o que se passava. Além dos corpos, encontraram uma espingarda com silenciador, um machado, um alicate e comida para vários dias. A polícia continuou a patrulhar a área como prevenção, no caso de alguns caçadores terem sobrevivido.

O número de rinocerontes tem vindo a diminuir em África devido à caça furtiva destes animais pelos seus cornos, que podem valer até 50 mil dólares por quilo – mais caros do que o ouro. Desde o início de 2018, nove rinocerontes morreram às mãos de caçadores furtivos na província de Eastern Cape, onde se situa esta reserva de caça. Apesar do nome, as reservas de caça são áreas protegidas onde os animais selvagens vivem livremente e são caçados de maneira controlada. A actividade permite financiar a conservação da natureza e a caça furtiva continua a ser proibida.

Na África do Sul, só na última década, morreram sete mil rinocerontes devido à caça furtiva.

Do Quénia, chegam histórias semelhantes: em 1970 havia nesse país 20 mil rinocerontes, actualmente são apenas 650, quase todos rinocerontes-negros. Em Março, a morte de Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho, relançou a discussão sobre a caça de rinocerontes: esta foi uma das espécies caçadas até ao limiar da extinção devido à procura internacional pelo corno do rinoceronte.

O aumento da caça furtiva em África surge de mãos dadas com o aumento da procura dos cornos dos rinocerontes na Ásia. Em países como a China ou o Vietname, o corno é (erradamente) tido como um poderoso afrodisíaco e um elemento importante da medicina tradicional sendo, por isso, muito procurado.