O Out.Fest chega à 15.ª edição com Linn da Quebrada, Mick Harris, group A, Lotic e Ricardo Rocha

O Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro anunciou o primeiro lote de confirmações para a edição de 2018, ano em que comemora 14 anos de actividade na Margem do Sul do Tejo. O cartaz inclui também HHY & The Macumbas, João Pais Filipe e Lea Bertucci.

Linn da Quebrada, Brasil, Pajubá
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Linn da Quebrada é um dos nomes da 15ª edição do Out.Fest - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro Núbia Abe

O primeiro Out.Fest - Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro foi em 2004. A próxima edição, que decorre nos dias 5 e 6 de Outubro deste ano, será a 15.ª. São 14 anos de um festival que pôs a cidade da Margem Sul do Tejo no mapa da música, como o nome indica, "exploratória", e trouxe ao Barreiro grandes nomes nacionais e internacionais da música improvisada, do jazz, da electrónica, hip-hop e de tudo o que trilhe caminhos menos percorridos.

Foram anunciadas esta sexta-feira as primeiras confirmações do cartaz desta 15ª edição. São elas: Fret, group A, HHY & The Macumbas, João Pais Filipe, Lea Bertucci, Linn da Quebrada, Lotic e Ricardo Rocha. Os concertos decorrem em vários espaços no Barreiro e à sua volta. O Out.Fest sempre gostou de descobrir ou repensar sítios da cidade, mas desta vez, segundo afirma Rui Pedro Dâmaso, director artístico, no press  release enviado às redacções: "Já não chega mostrar o Barreiro, já não se trata de abrir espaços a olhares curiosos; trata-se de viver no espaço entre eles", prometendo "repensar, reformular, experimentar a relação, desenho e interacção com a cidade" neste festival e no de 2019, em que se comemorarão os 15 anos do Out.Fest.

Fret é um nome que Mick Harris usa para explorar sonoridades techno e industriais com ritmos quebrados. Harris foi, nos anos 1980, baterista dos pioneiros de grindcore e death metal Napalm Death, tendo tocado também no trio de jazz avant-garde e grindcore Painkiller, com o saxofonista John Zorn e o baixista Bill Laswell. Depois explorou a música electrónica, industrial, dub e hip-hop enquanto Scorn. Fret é um nome que voltou a usar recentemente após mais de duas décadas de abandono.

O duo japonês group A, que junta Tommi Tokyo a Sayaka Botanic, hoje radicadas em Berlim, regressa a Portugal quase três meses após actuarem nos Jardins Efémeros, em Viseu. As duas fazem noise e electrónica minimal com teclados, violino, samplers, voz e caixas de ritmos, com declamação de poesia e uma forte componente performativa e visual.

Já os HHY & The Macumbas juntam dub, krautrock, free jazz, percussão sopros e eco. São coordenados por Jonathan Uliel Saldanha, que no ano passado apresentou a peça Plethora na estreia do festival na Igreja de Santa Maria. Não são os únicos portugueses no cartaz: há também, por exemplo, João Pais Filipe, que toca bateria e percussão – nos próprios HHY –, constrói os seus próprios instrumentos e faz ainda escultura sonora. Vai tocar percussão a solo, apresentando um álbum que sairá em Setembro. 

A norte-americana Lea Bertucci interessa-se muito pela acústica e o efeito que esta tem na música, aproveitando ao máximo as circunstâncias em que os sons do seu saxofone alto são registados. Metal Aether, editado em Fevereiro, foi gravado entre uma antiga base militar em Le Havre, França, e um espaço de concertos e artes performativas em Brooklyn.

Em Setembro, Bixa  Travesty, o premiado documentário de Claudia Priscilla e Kiko Goifman sobre Linn da Quebrada será mostrado no encerramento do festival Queer Lisboa. No mês seguinte, a MC e activista trans brasileira que esgotou a lotação da Galeria Zé dos Bois em Lisboa em Março deste ano, actuará no Barreiro.

Lotic, ou J'Kerian Morgan, que cresceu no Texas e agora vive em Berlim, fez-se notar a sério em 2016, com uma remistura não-autorizada de Formation, de Beyoncé, com muita névoa e obscuridade, a remeter para a ansiedade que o produtor sentiu após a eleição de Donald Trump. Vai lançar, a 13 deste mês de Julho, o disco de estreia, Power.

Por fim, Ricardo Rocha, o mago da guitarra portuguesa, dentro ou fora do fado, é o outro nome nacional do cartaz. Não edita nada de novo desde Resplandecente - Quartetos e Solos para Guitarra Portuguesa, de 2014, mas terá certamente muito para mostrar.

Paralelamente ao anúncio da programação, foram postos à venda esta sexta-feira os primeiros cem passes gerais para o festival. Custam 15€, depois os passes passarão a custar mais.