Investir na indústria verde é o que tem sentido económico

Conselheiro de Obama mostra que se mais argumentos não houvesse, os de rentabilidade económica deveriam ser suficientes para convencer os empresários a investir na indústria verde. Alterações climáticas são a principal ameaça ao património da humanidade

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Juan Verde, presidente da Advanced Leadership Foundation DR
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Irina Bokova, ex-directora geral da Unesco DR

Há muito mais do que uma mera esperança de que o mundo empresarial se possa empenhar em combater as alterações climáticas ou em adaptar-se a elas. É que, mostram os números e as estatísticas, a economia de baixo carbono é a que está a protagonizar os melhores indicadores de crescimento. “Follow the Money”, isto é, sigam o dinheiro, limitou-se a constatar Juan Verde, presidente da Advanced Leadership Foundation, uma das entidades que organizaram o Climate Change Leadership, e que foi também consultor para as alterações climáticas do 44.º Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, desde o processo que levou à sua eleição.

Juan Verde demonstrou que só em 2017 o volume de negócios da chamada “indústria verde”, que engloba as energias renováveis, o tratamento de águas, o armazenamento de energia, os transportes públicos, entre outros, ultrapassou os 1300 biliões de dólares, que já é bem visível onde estão a aparecer os novos investimentos (nas energias renováveis em detrimento da indústria do petróleo), que em termos de rentabilidade são as empresas que estão cotadas no Nex Clean Index (o índice onde aparecem as empresas “verdes”) que tiveram mais lucros, comparativamente às que aparecem listadas no Nasdaq (as empresas tecnológicas) ou no Standard’s &Poors. “Estamos a viver uma verdadeira revolução neste momento. Estamos na transição para uma economia e um mundo de baixo carbono, onde estamos a ser testemunhos de uma explosão sem precedentes na inovação e nas tecnologias limpas”, afirmou Verde, referindo-se às grandes oportunidades de negócio e de novos investimentos a que se podem balançar “empresas, instituições, governos e empreendedores”. “A inovação é uma realidade e está a desenvolver-se a um ritmo alucinante. Hoje uma pen drive de 5 gigas de memória custa três dólares. Há dez anos custava cinco mil dólares, e há 25 anos custava 120 milhões!”

É esta ordem de raciocínio que permite ao presidente da Advanced Ledearship Foundation imaginar que não falta muito para que 98% da indústria automóvel seja de veículos eléctricos: “É já em 2050, ou seja, é quando os meus filhos tiverem 30 anos”, exortou. Juan Verde ainda deixou mais argumentos para convencer o sector privado a investir na economia verde: o facto de a opinião pública estar sensibilizada para o problema e considerar as alterações climáticas como a principal ameaça dos nossos tempos. “Os estudos demonstram que entre dois produtos semelhantes, 92% dos consumidores vão preferir aquele que se mostra amigo do ambiente. E que 53% desses consumidores até estão dispostos a pagar um produto 10% mais caro se ele for mais sustentável”, exemplificou. “Investir na indústria verde é o que faz sentido económico”, concluiu.

Se do ponto de vista empresarial faz sentido olhar para os desafios das alterações climáticas, do ponto de vista do património cultural e natural da humanidade isso é praticamente uma obrigação. Para Irina Bokova, ex-directora-geral da UNESCO, as alterações climáticas representam “a maior ameaça” para os espaços classificados como Património Mundial e “não há forma de medir o impacto que o clima pode ter no futuro”. O número de sítios listados como Património da Humanidade em que eram visíveis os impactos das alterações climáticas era de 35 em 2014. Em apenas três anos esse número quase duplicou: em 2017 já eram 62. “As alterações climáticas ameaçam praticamente um quarto dos 241 lugares que integram a lista de Património Natural da Humanidade em 2017. Em 2014 esse rácio era apenas de um para sete”, contabilizou Irina Bokova.

A cidade de Veneza, ou a grande barreira de Coral, na Austrália, são apenas dois dos exemplos mais visíveis. Mas nas paisagens vinícolas — e há muitas classificadas como Património da Humanidade, essas alterações também são indesmentíveis. As previsões apresentadas há cerca de um ano, em Bordéus, por um dos consultores de Obama para a ciência e tecnologia, John Holdren, apontavam para o facto de que o território apto à cultura do vinho vai diminuir drasticamente até 2050: a previsão mais optimista aponta para uma redução de 23%; a mais dramática aponta para uma redução de 75%. “A produção de vinho nestas regiões reflecte uma longa tradição cultural, que passou de geração em geração. Estamos a falar de paisagem natural e humanizada, da harmonia das duas”, frisou Irina Bokova.