Santana Lopes vai mesmo deixar o PSD? Logo se verá, para já quer ser feliz

O antigo presidente reafirma que a sua intervenção política no PSD acabou. Se entrega o cartão e vai fundar um novo partido são “novidades” que deixou para o futuro.

Pedro Santana Lopes
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Pedro Santana Lopes Nuno Ferreira Santos

Santana Lopes afirmou há uma semana, em entrevista à Visão, que a sua relação com o PSD tinha acabado. Dava a entender que podia deixar o partido quem que milita há cerca de 40 anos, avançando mesmo com a criação de uma nova força política. Na noite de terça-feira, na SIC Notícias, voltou a deixar estas ideias no ar, mas recusou sempre afirmar de forma clara se vai fazer o que insinua.

Santana disse e repetiu que a sua intervenção política tinha acabado, mas questionado várias vezes pela jornalista Clara de Sousa se vai mesmo entregar o cartão de militante deixou “as novidades” para o futuro.

“Eu nunca disse aquilo que disse agora e é doloroso chegar a esta conclusão. (…) Agora, o ser doloroso não implica que seja proibido”, começou por afirmar no frente-a-frente semanal que tem com o socialista Carlos César.

Perante a insistência da jornalista sobre se sai ou não do PSD e se vai fundar um novo partido, Santana Lopes afirmou que “o centro-direita em Portugal está desequilibrado”, que “não transmite aos seus eleitores a vontade de ganhar”, que há uma tendência em Portugal para “tornar o PS num partido hegemónico”, sem nunca dizer o que, na verdade, irá fazer. O antigo provedor da Santa casa da Misericórdia assegurou, no entanto, que não tomou as posições que tomou contra ninguém, nem sequer contra Rui Rio. “Não são questões pessoais, nem de chá, nem simpatia. São questões de convicções”, acrescentou.

Sobre a sua actuação política, Santana disse que será conhecida quando a sua agenda “o permitir”. “Acabou [a intervenção política no PSD]. Eu disse aquilo que queria dizer. Quando tiver mais alguma coisa a dizer fá-lo-ei. (…) Foi tudo pensado, não foi fruto de emoção. (…) Não foi feito contra ninguém, agora quero ter o direito a ser feliz e ser feliz é termos direito a fazer na vida aquilo que entendemos ser o nosso dever”, salientou.

Há, porém, uma coisa que Santana garante que não fará: se sair do PSD, não se passará “para o inimigo”. “Adiante iremos e na estrada nos encontraremos, como a minha avó gostava de dizer”, concluiu.

O assunto que Santana Lopes fez questão de clarificar logo no início da conversa foi a capa d' O Independente de Agosto de 1996, que já dava conta da sua intenção de sair do partido para fundar outro. Uma capa lembrada por várias notícias e comentadores que davam a entender que Santana Lopes é useiro e vezeiro em ameaças de deixar o PSD.

Santana Lopes salientou que a informação da capa d' O Independente não está suportada em declarações suas. “Não há uma declaração minha” nesse sentido no artigo, recordou. “Na altura apenas disse: não comento isso”, lembrou, sublinhando que a manchete d' O Independente ? de 1996 se deveu a um desejo do então director do jornal, Isaías Gomes Teixeira, de fazer “uma última” grande capa.

Apesar desta tentativa de clarificação, as dúvidas sobre as razões de Pedro Santana Lopes permanecem, incluindo entre os sociais-democratas. "Ainda tenho alguma expectativa de compreender melhor os motivos e os fundamentos desta posição", disse Luís Montenegro na TSF, assegurando que não vai "tentar demovê-lo".