Sofia, Quentin e os filhos, Gabriela e Tiago, viveram cinco meses numa autocaravana enquanto viajavam por Portugal
Foto
Sofia, Quentin e os filhos, Gabriela e Tiago, viveram cinco meses numa autocaravana enquanto viajavam por Portugal

Sofia vai caminhar até Santiago de Compostela para dar “sorte” a outros

Sofia Vieira acredita que todos devemos usar a “sorte” para ajudar os outros e, por isso, vai fazer a pé os cerca de 600 quilómetros que separam Lisboa de Santiago de Compostela. Objectivo é angariar fundos para a Fundação do Gil e o Fundo iMM-Laço: A Caminho da Cura.

A 11 de Agosto, Sofia Vieira vai partir de Lisboa em direcção a Santiago de Compostela. De mochila às costas, vai percorrer mais de 600 quilómetros que “servirão de trampolim para a boa vontade”. O objectivo? Angariar fundos que serão distribuídos pela Fundação do Gil e pelo Fundo iMM-Laço: A Caminho da Cura.

“Este desafio, inspirado por um momento muito difícil na minha vida pessoal, servirá sobretudo para homenagear a força e a resiliência da minha irmã mais nova, a quem, em Setembro do ano passado, foi diagnosticado um cancro invasivo”, explica Sofia Vieira. “É uma forma de celebrar e ajudar alguns daqueles que fazem caminhadas bem mais difíceis do que aquela que os meus pés vão fazer e homenagear todas as mulheres que passam por batalhas como a da minha irmã, ou outras igualmente difíceis”, acrescenta.

PÚBLICO -
Foto
Sofia Vieira quer homenagear todas as mulheres que passam por batalhas como a da irmã, Joana.

A autora da página Pais com P Grande acredita que acompanhar a situação da irmã Joana, que aos 27 anos passou por tratamentos de quimioterapia, uma operação complicada, radioterapia e tratamentos hormonais, é a oportunidade que a vida lhe deu "para transformar um momento menos bom numa memória positiva (…), apesar de tudo”.

E porquê Santiago de Compostela? "É um caminho que há muito tempo tenho pensado em fazer e este pareceu-me ser, do ponto de vista emocional e espiritual, o momento certo”, revela Sofia. No total, são 652 quilómetros que a autora vai percorrer não por motivos religiosos, mas porque gosta de o fazer — e porque sente a necessidade de passar algum tempo sozinha “para processar todos estes meses de luta”.

Sofia vai caminhar sozinha, mas está a preparar três caminhadas mais curtas e solidárias ao longo do percurso: em Tomar, no Porto e em Viana do Castelo. "Quem quiser pode juntar-se a mim, contribuindo com um donativo para o objectivo deste projecto”, diz Sofia, que vai ainda fazer três workshops sobre boa vontade, em Lisboa, Santarém, e em Viana do Castelo.

10 anos, 12 moradas

Em 2004, Sofia trocou Setúbal por Londres, onde se especializou na área da educação, desenvolvimento cognitivo infantil, criatividade e inteligência emocional. Foi na capital inglesa que conheceu o francês Quentin. Juntos há 10 anos, Sofia e Quentin já viveram em 12 moradas com os filhos Gabriela e Tiago, de oito e 10 anos, respectivamente.

Depois de passarem por Inglaterra, Portugal e País de Gales, de momento a família Vieira-Gillet vive no Sudoeste de França com a cadela Amora e o gato Amado. “Penso (mas não dou certezas) que vamos fazer da França o nosso 'poiso' permanente, ainda que as viagens e a aventura façam sempre parte das nossas vidas”, garante Sofia.

Por causa do trabalho de Quentin (na área da informática), que o obriga a viajar muito, e porque queria estar totalmente disponível para os filhos — que, até recentemente, estiveram em regime de ensino doméstico —, Sofia trabalha como freelancer a partir de casa para várias publicações portuguesas e estrangeiras. Continua a alimentar a paixão pela escrita e tem um livro infantil sobre inteligência emocional a aguardar publicação.

PÚBLICO -
Foto
Sofia Vieira dedica-se a causas solidárias e já fez voluntariado junto de refugiados.

Usar a “sorte” para ajudar os outros

“Acredito que a vida só faz sentido quando usamos parte da nossa ‘sorte’ ao serviço dos outros e por isso tenho organizado várias campanhas de angariação de fundos para diversos fins e organizações nacionais e internacionais”, diz Sofia.

Aos 37 anos, Sofia já dedicou uma grande parte da vida a ajudar os outros e desenvolveu várias iniciativas solidárias. Em Fevereiro de 2017, começou o "Uma história por um donativo" e conseguiu juntar 3500 euros para a organização britânica Refugee Support, com o apoio da qual esteve a dar aulas num campo de refugiados em Alexandria, na Grécia, durante três semanas e meia. “Este dinheiro foi usado para comprar roupa interior para todos os moradores do campo, bem como para o aluguer de uma carrinha que nos possibilitava distribuir comida pelos contentores onde as pessoas viviam”, recorda.

Mais recentemente, Sofia dedicou-se ao projecto "Caixas Solidárias para a Síria": foram 7000 euros angariados e enviados para a Síria, onde Sofia trabalha, através da Acting for Change International, que possibilitaram a distribuição de 175 caixas com bens essenciais por famílias refugiadas da área de conflito.