Ásia

A “equipa-maravilha” de mergulhadores britânicos que lidera o resgate na Tailândia

Rick Stanton e John Volanthem foram os primeiros a chegar às crianças que se perderam numa gruta. Quem os conhece diz que estão entre os melhores mergulhadores do mundo.
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Todos temos os nossos passatempos preferidos. O de Rick Stanton é mergulhar em grutas frias, sem luz, claustrofóbicas e perigosas. Stanton e o seu parceiro de mergulho, John Volanthem, foram identificados pelos media como os dois britânicos que descobriram as 12 crianças e o seu treinador de futebol que ficaram encurralados numa gruta no Norte da Tailândia.

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Nas dramáticas imagens de vídeo do momento em que os mergulhadores chegaram até ao grupo, nove dias depois do desaparecimento, ouve-se um mergulhador com sotaque britânico a falar: “Quantos são vocês? Treze? Brilliant”, diz o mergulhador, enquanto o foco da sua lanterna ilumina as crianças, possivelmente a primeira luz que elas viram em vários dias. Quando as crianças lhe perguntaram se iriam sair da gruta, o mergulhador respondeu: “Não, hoje não, hoje não. Somos dois. Vocês teriam de mergulhar.”

Os dois experientes mergulhadores estão entre as mais de mil pessoas que participam na missão de salvamento, que está longe de chegar ao fim porque as equipas de resgate enfrentam enormes desafios. [Todas as opções estão a ser consideradas, incluindo ensinar os rapazes a nadar, uma vez que são esperadas chuvas intensas para os próximos dias que podem inundar ainda mais as grutas].

Quem conhece Stanton e Volanthem diz que se alguém tinha de encontrar a equipa de futebol tailandesa, seriam eles. E ninguém ficou admirado quando as autoridades da Tailândia lhes pediram para ajudar nas operações de resgate, em conjunto com outro mergulhador britânico, Robert Harper.  

“Eu disse logo que se alguém encontrasse estes miúdos, seriam estes dois mergulhadores, que são os melhores do mundo”, disse ao Washington Post Andy Eavis, porta-voz da Associação Britânica de Espeleologia.

“Em comparação com o que o Rick e o John costumam fazer, isto é extremamente fácil. A única dificuldade foi o fluxo da água”, disse Eavis, referindo-se ao facto de que os mergulhadores tiveram de nadar contra uma corrente forte para chegar ao sítio onde estão as crianças.

O porta-voz disse ainda que Stanton, em particular, é considerado um dos melhores mergulhadores de grutas em toda a Europa. “Ele já fez coisas notáveis, como ter nadado dez quilómetros numa gruta em França, a 70 metros de profundidade. Eles estiveram debaixo de água 36 horas e depois passaram 20 horas para fazer a descompressão. Estamos a falar de recordes do mundo de mergulho em grutas.”

A dupla tem experiência em liderar importantes operações de resgate. Em 2010, dirigiram uma tentativa de resgate no Sul de França para encontrar o mergulhador francês Eric Establie. Infelizmente encontraram apenas o corpo do mergulhador, após uma missão de oito dias. Por esses esforços, foram distinguidos no Palácio de Buckingham com um prémio da Royal Humane Society.

Stanton e Volanthem são uma “equipa-maravilha” de mergulhadores, disse Bill Whitehouse, vice-presidente do Conselho Britânico de Resgate em Grutas, que tem estado em contacto com eles desde que descobriram a equipa de futebol tailandesa. Whitehouse disse que a dupla descreveu o mergulho de três horas como “um pouco difícil”.

Stanton, um bombeiro na casa dos 50 anos, também dirigiu uma missão de resgate em 2004, no México, onde ajudou a salvar seis soldados britânicos que ficaram encurralados durante seis dias.

O mergulhador disse à revista Divernet que o seu trabalho em missões de resgate – pelo qual recebeu o título de membro do Império Britânico – é um “passatempo” e um “serviço voluntário”.

O seu colega, John Volanthem, que tem contribuído para o desenvolvimento da tecnologia que permite aos mergulhadores ficarem debaixo de água mais tempo, tem também uma paixão pelo desporto.

Num documentário que segue a dupla em expedições de mergulho em grutas, Annabelle Volanthem disse que na, manhã do seu dia de casamento, John escapou à azáfama com um mergulho. “E não foi um mergulho numa gruta qualquer, foi através de um reservatório que tinha uma rocha instável, que caiu depois de ele ter passado por lá. Isso dá uma ideia do carácter do John”, disse Annabelle.

Volanthem, um engenheiro informático na casa dos 40, disse ao Sunday Times, em 2013, que o segredo do mergulho em grutas é manter a calma. "O pânico e a adrenalina são óptimos em certas situações – mas não é assim durante os mergulhos”, disse. “A última coisa que queremos é adrenalina.”

“O que queremos é uma sensação boa e monótona”, disse ao Sunday Times. “Debaixo de água, as coisas acontecem devagar. Se um pára-quedas não abrir no base jump, temos segundos para contemplar o nosso destino. Mas se algo corre mal ao fim de dez quilómetros num túnel debaixo de água, normalmente temos o tempo de ar que nos resta para encontrarmos uma solução, ou para fazer as pazes connosco.”

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post