A primeira edição o orçamento participativo foi dominada por eventos

Dos cinco projectos vencedores, apenas um se traduz em alterações permanentes. Vereadora diz que os restantes são “sementes”.

Eleições locais portuguesas, 2017
Foto
PAULO RICCA / PUBLICO

Um concerto, a instalação de um parque infantil no Jardim da Sereia, uma curta-metragem, um festival do fado e um festival de humor. Na primeira edição do Coimbra Participa, quatro das cinco propostas mais votadas são eventos.

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A proposta do maestro Rui Lopes, de apresentar o concerto “Por Este Rio Acima”, com base na obra de Fausto Bordalo Dias, no Terreiro da Erva recolheu a preferência dos conimbricenses com 2226 mil votos. A iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra tinha como tema a dinamização do centro histórico, sendo que o segundo projecto mais votado foi a instalação de um parque infantil no Jardim da Sereia, proposta por Magarita Cébrian que recebeu 2134 votos <_o3a_p>

No orçamento participativo jovem, o projecto mais votado foi o de Miguel Monteiro Rodrigues, que implica uma realização de uma curta-metragem com o centro histórico como pano de fundo. Seguiram-se dois festivais: um de fado, proposto por Beatriz Silva, e outro de humor, proposto por Afonso Paiva. <_o3a_p>

No total foram apresentadas 50 propostas, das quais 33 foram a concurso, tendo participado na escolha mais de 11 mil votantes. A soma das cinco propostas significa que a autarquia vai despender 138 mil euros a levá-las a cabo, sendo que o orçamento previsto era de 150 mil euros. Os vencedores foram nesta quarta-feira reconhecidos pela autarquia, no dia da cidade.<_o3a_p>

“Foi uma primeira experiência muito interessante”, da qual a autarquia retirará “ensinamentos para edições futuras”, afirmou a vereadora Regina Bento na última reunião de executivo camarário. Questionada pelo PÚBLICO sobre o facto de a maioria das propostas vencedoras serem eventos, a responsável fez notar que “não havia nada nas normas que os eliminasse” e que estes constituem “uma semente para o futuro”. Pegando no exemplo do Terreiro da Erva, um espaço da Baixa da cidade recentemente requalificado, o concerto “pretende demonstrar que aquele é um espaço que foi reabilitado e que pode ser utilizado no futuro” para actividades similares.<_o3a_p>

As declarações de Rui Lopes, um dos proponentes da apresentação de “Por Este Rio Acima”, vão no mesmo sentido. Um dos objectivos é “colocar uma semente de forma que as pessoas percebam que o espaço foi revitalizado e que comecem a acontecer lá actividades, mercados ou concertos”, refere. O outro é a “utilização de matéria-prima”, que são artistas e músicos de Coimbra que, quando acabam a formação “têm de sair da cidade porque a indústria está noutros lados”. <_o3a_p>

O concerto foi produzido para o 32º aniversário da Rádio Universidade de Coimbra, tendo contado com a participação da Tuna Académica Universitária de Coimbra, do Coro Misto da Universidade de Coimbra e da Orquestra Académica da Universidade de Coimbra. O espectáculo foi apresentado em Março, no auditório do conservatório de Coimbra. A ideia é agora “apresentar o espectáculo ao resto da cidade”, justifica. <_o3a_p>

Margarita Cébrian, autora da proposta “Jardim da Sereia para Brincar”, explica ao PÚBLICO que esta é mais “uma espécie de desculpa para voltar” ao espaço. Nascida em Valência, chegou a Coimbra em 2011 e não percebia porque é que a Sereia estava vazia. Depois começou a perceber as dinâmicas de abandono e marginalidade em torno do espaço, que chegou a ter baloiços nos anos 1980. “Não é frequentado pelas famílias. Os parques infantis estão espalhados em redor da cidade, mas no centro histórico não há nada”, sintetiza. A proposta para instalar o parque infantil no jardim tem apenas uma área de intervenção identificada, não prevendo a instalação de equipamentos específicos. <_o3a_p>