Robby Müller (1940-2018), um mestre da fotografia de cinema

O fiel colaborador de Wim Wenders morreu esta quarta-feira em Amesterdão.

Robby Müller, Os Crentes, Diretor De Fotografia
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Robby Müller dr

Morreu um dos mais importantes directores de fotografia do cinema contemporâneo: Robby Müller (1940-2018), holandês de nacionalidade mas com obra feita essencialmente na Alemanha e nos Estados Unidos. A sua morte, na mesma cidade, Amesterdão, onde nascera há 78 anos, foi anunciada esta quarta-feira pela família.

Müller estudou cinema ainda na Holanda mas foi na Alemanha que se iniciou profissionalmente. Foi um colaborador fiel de Wim Wenders durante a fase inicial da carreira do futuro realizador de Paris, Texas, e filmou com ele praticamente todos os seus títulos dos anos 70, a começar por aquele que foi a estreia de ambos, Sommer in der Stadt (Verão na Cidade), de 1970.

Ao longo dessa década Müller trabalhou pontualmente com alguns outros realizadores, como Edgar Reitz, Peter Handke ou Peter Bogdanovich ( Saint Jack, de 1979, primeira colaboração de Müller num filme americano), mas é a sua presença continuada no cinema de Wenders que se destaca, e em especial o formidável preto e branco de filmes como Alice nas Cidades (em 1974) e Ao Correr do Tempo (1976).

Müller trabalhou com Wenders até aos anos 90, esteve por trás das imagens de Paris, Texas, de Até ao Fim do Mundo, e do filme de Michelangelo Antonioni (Para Além das Nuvens, de 1995) em que Wenders serviu de co-realizador para suprir as limitações físicas do cineasta italiano.

A partir dos anos 80 a sua carreira foi um vaivém entre Europa e Estados Unidos, e no cinema americano trabalhou com alguns dos mais idiossincráticos cineastas da época: o já referido Bogdanovich (ainda em They  All  Laughed), William Friedkin (Viver e Morrer em Los Angeles), Alex Cox (Repo Man).

Em meados dessa década de 80 deu-se outro encontro crucial, o de Müler com Jim Jarmusch: a começar no preto e branco de Down by Law (1986) e a acabar no preto e branco de Café e Cigarros (2003), passando pelas cores de Comboio Mistério (1989) ou Ghost Dog (1999), a colaboração de Müller e Jarmusch foi regular e proveitosa.

Reagindo à morte do director de fotografia, Jarmusch escreveu no Twitter que Müller era “um dos seus amigos mais queridos, um irmão mais velho, um professor”, e que sem ele “não saberia nada de como fazer filmes nem de muitas outras coisas”. Embora o seu trabalho tenha sido, muitíssimas vezes, prodigioso, Robby Müller nunca mereceu sequer uma nomeação para o Óscar. A sua memória viverá, de cada vez que uma sala projectar Paris, Texas ou Down by Law.