Crítica

Não chega mas é o que há

Artemis – Hotel de Bandidos é despachado, divertido, mas nunca se ergue acima do derivativo.

Drew Pearce, Hotel Artemis, Jodie Foster, Hollywood
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Sofia Boutella, Drew Pearce, Hotel Artemis
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Drew Pearce, Brian Tyree Henry, Sterling K. Brown, Hotel Artemis
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“Arranjamo-nos com o que há, não com o que queríamos” - é o mote de um dos bandidos que, numa noite de crime e sangue, acaba no hotel que dá título à longa de estreia do argumentista Drew Pearce (Homem de Ferro 3, Missão Impossível: Nação Secreta). “Arranjamo-nos com o que há” é também o que se pode dizer de Artemis – Hotel de Bandidos, filme “de argumentista”, numa lógica pós-Tarantino. Senão, vejamos: cheio de referências da série B e do film noir; propulsionado por diálogos secos e trabalhados a fingirem-se de romance policial hardboiled, que o bom elenco reunido saboreia como refeição de alta cozinha; ilustrado por uma produção visual estilizada influenciada pela geração coreana de Bong Joon-ho ou Park Chan-wook. (o director de fotografia é Chung Hoon-chung, o mesmo de Oldboy e A Criada; e a grande cena de porrada de Sofia Boutella é tão Oldboy que até chateia.)

Numa Los Angeles de um futuro próximo onde o abastecimento de água e o policiamento foram privatizados, um hotel secreto que é na realidade um hospital para criminosos torna-se campo de batalha entre diferentes maneiras de entender as regras de sobrevivência em sociedade. Podia quase ser uma metáfora política sobre a coexistência, com uma surpreendente e justíssima Jodie Foster no papel da enfermeira que dirige com mãos de ferro este hospital mas que o faz quase como “penitência” por algo no seu passado. (E é injusto falar só de Foster; este é um filme de ensemble) Mas Drew Pearce contenta-se em deixar essas leituras como pano de fundo, deixa-se levar pelo prazer narcisista do diálogo e da situação, escolhe um tom de série-B sarcástica e sanguinolenta, faz uma fita de acção e porrada meta-xunga-futurista-cool que não é tão inspirada nem original como acha que é. O que há, então, talvez não seja o que Pearce queria: é despachado, divertido, mas nunca se ergue acima do derivativo. Não é mau, mas não chega; é o que há.