Crónica de jogo

Suécia perto de recuperar coroa da América na Rússia

Golo de Forsberg marcou a diferença num encontro em que a força se impôs à técnica.

Futebol Gaélico Feminino, Estádio Específico de Futebol, Tackle, Torneio
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EPA/ZURAB KURTSIKIDZE

A Suécia está decidida a clonar, na Rússia, a campanha vitoriosa do Mundial de 1994, nos Estados Unidos, onde, 24 anos depois, “reina” Zlatan Ibrahimovic, uma das estrelas da Major Soccer League e auto-proclamado Deus que por estes dias acompanha a uma distância de segurança a trajectória da selecção escandinava. 

Em S. Petersburgo, a Suíça limitou-se a confirmar a força imparável da vaga de fundo sueca (0-1), despedindo-se, com a precisão de um relógio atómico, pela quarta vez, à porta dos quartos-de-final, fase na qual não entra desde 1954. Desta vez sem direito, sequer, a prolongamento - ou mesmo à lotaria dos penáltis que os helvéticos queriam evitar a todo o custo -, averbando a primeira derrota de 2018 (a segunda nos últimos 21 jogos oficiais, depois do desaire da Luz, em 2017).

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Estatísticas e Zlatan à parte, embora imaginar os efeitos do toque de classe do avançado neste Mundial seja um exercício inevitável, a Suécia está agora na rampa de lançamento dos campeões, a um simples jogo de voltar a marcar presença nas meias-finais de um Campeonato do Mundo. 

Com o rótulo de “carrascos” de potências como Holanda, Itália e Alemanha, os suecos voltaram a impor um futebol compacto e uma organização que desgasta até ao desespero os adversários mais sofisticados e poderosos, como é, actualmente, também o caso dos suíços.

Indiferentes ao peso da nota artística, os suecos deram-se, inclusive, ao luxo de desperdiçar as primeiras e reais ocasiões de golo nesta 50.ª partida em fases finais de Mundiais. Só Marcus Berg falhou por duas vezes o golo cantado logo ao minuto 8, com Ekdal a sublinhar, na recarga, a gritante falta de eficácia e o jeito que dava Ibrahimovic nestas alturas. 

A tentação de repetir o feito de há 64 anos era, ainda assim, demasiado forte para os suíços, que funcionavam como um pêndulo, até baterem no icebergue sueco e verem goradas todas as tentativas de surpreenderem Olsen, por mais cruzamentos que Shaqiri e Rodíguez tirassem para as entradas de Zuber. 

Sem deslumbrar, apesar das tentativas ainda tímidas de Forsberg, a Suécia mantinha o adversário sob fogo, sublinhando a cada investida o melhor de Sommer, que ia mantendo a baliza helvética inviolável. Condição que uma intervenção infeliz do defesa-central Manuel Akanji alterou de forma dramática e irrecuperável, ao desviar um remate de Forsberg que ia direito às mãos do guarda-redes suíço.

A partir daquele instante (66'), a ideia do prolongamento voltava às cogitações da Suíça, que ainda intensificou os ataques num jogo em que a posse, o número de passes e todos os dados associados a uma superioridade e controlo do jogo perdiam completamente o sentido científico.

Para a Suécia, o desespero do adversário significava apenas mais uma oportunidade para fechar o encontro, o que só não aconteceu já em período de compensações porque o árbitro esloveno teve que recuar na decisão de punir um empurrão de Michael Lang a Martin Olsson, que o VAR ajudou a perceber que ainda aconteceu fora da área.

O futuro imediato dos suecos passa agora por Samara, onde no sábado medem forças com Inglaterra, o último obstáculo a separá-los das meias-finais e da eventual reedição desse terceiro lugar obtido em 1994.