Sem Nobel da Literatura em 2018, personalidades suecas organizam prémio alternativo

Um grupo de mais de uma centena de escritores, jornalistas e actores quer atribuir um prémio literário em resposta ao escândalo que abala a Academia Sueca.

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Reuters/RALPH ORLOWSKI

Depois de a Academia Sueca ter anunciado que não iria atribuir o Nobel da Literatura este ano devido a um escândalo de assédio sexual que acabou por envolver a instituição, um conjunto de personalidades da cultura sueca está a organizar um evento alternativo que será também uma forma de protesto contra o sucedido.

No início de Maio soube-se que o prémio relativo a 2018 só seria atribuído no próximo ano e em paralelo com a distinção relativa a 2019. Em causa está revelação, no final do ano passado, de que o marido de um dos membros da academia, o dramaturgo e fotógrafo francês Jean-Claude Arnault, tinha sido acusado de ter assediado sexualmente 18 mulheres e de ter divulgado antecipadamente alguns nomes de escritores que viriam a receber o Nobel. Arnault nega as acusações.

O escândalo impulsionou um debate público em torno das questões de género na Suécia. Paralelamente, um grupo de mais de uma centena de escritores, actores, jornalistas e outros nomes da cultura formou a Nova Academia.

“Fundámos a Nova Academia para lembrar as pessoas que a literatura e a cultura devem promover a democracia, transparência, empatia e respeito, sem privilégios ou sexismo”, declarou o grupo em comunicado. “Numa altura em que os direitos humanos estão a ser colocados em causa, a literatura torna-se uma resposta ainda mais importante à cultura do silêncio e da opressão. A Nova Academia considera isto tão importante que considera que um prémio de literatura deveria ser distinguido em 2018.”

A organização pretende anunciar o autor premiado em Outubro, próximo da data em que habitualmente o Prémio Nobel da Literatura seria conhecido. O grupo convida as livrarias suecas a sugerirem autores. Os nomeados podem ser de qualquer nacionalidade, mas devem ter já escrito pelo menos dois livros, sendo que um deles deverá ter sido publicado nos últimos dez anos. Assim que as candidaturas forem recebidas, será aberta uma votação pública para indicar quatro autores que serão presentes a um júri composto pela editora Ann Pålsson, a professora universitária Lisbeth Larsson e a bibliotecária Gunilla Sandin.