Crónica de jogo

Brasil a crescer ao ritmo da afirmação de Neymar

Selecção "canarinha" bateu o México por 2-0 e assume-se cada vez mais como o grande candidato ao título.

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EPA/ROBERT GHEMENT

O Brasil avançou pela sétima vez consecutiva para os quartos-de-final de Campeonatos do Mundo, respeitando escrupulosamente a tradição de resultados favoráveis sobre o México, em fases finais. Desta vez, venceu por 2-0, em Samara, com golos de Neymar e Firmino, mantendo ainda as redes imaculadas nos duelos com o rival.

Num jogo marcado pela intensidade, competitividade e agressividade impostas pela equipa mexicana - que apresentou Rafa Márquez como farol, fazendo do segundo jogador de campo mais velho a actuar em Mundiais um dos raros casos a ter actuado como titular em cinco edições da maior prova planetária -, o Brasil comportou-se como verdadeiro e raro candidato, aliando à superior qualidade individual da linha avançada uma coesão defensiva que bloqueou as intenções adversárias, sobretudo no início do encontro, em que Lozano (2’) e Herrera (22’) conseguiram incomodar o guarda-redes Alisson. Na verdade, a solidariedade da linha mais recuada saiu reforçada pelas ausências de Marcelo e Danilo nas laterais. Apesar de recuperados, Tite optou por manter Filipe Luís e Fagner, o que traiu as expectativas mexicanas de um convite para explorar a profundidade.

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Ainda assim, o Brasil sentia dificuldades para penetrar no sistema montado pelo técnico colombiano Juan Carlos Osorio. O primeiro remate, da autoria de Neymar, acabaria por surgir numa transição demasiado ambiciosa e arriscada, obrigando o guarda-redes Ochoa a resolver o primeiro de muitos problemas criados pelos brasileiros.

Com sinais cada vez mais fortes de estar mais perto de atingir o seu melhor nível, depois de uma paragem competitiva superior a três meses, Neymar beneficiou de algumas flutuações que começaram a revelar inconsistências na carapaça do jogo mexicano, fruto das investidas de Willian mas também das elevadas temperaturas. Sem a intensidade inicial e já com Layún no lugar de Márquez, o México não resistiria por muito mais tempo aos encantos de Neymar. Indiferente às críticas, o avançado do Paris Saint-Germain justificou alguns tiques de diva e, depois de tentar de meia-distância, em arrancadas e dribles e com cruzamentos letais, vestiu a pele de matador para finalizar após assistência de Willian (51'). 

Firmino resolve

O golo do Brasil simplificava brutalmente a tarefa de Tite, que mesmo sem nunca ter cedido à ansiedade que poderia apoderar-se da equipa, salientando a tendência de um Mundial que já reduziu a lista de colossos a menos de metade, corria sempre o risco de provar do mesmo veneno servido aos alemães. 

Infelizmente para os mexicanos, a confiança caíra a pique depois do golpe infligido pelos suecos, na última ronda da fase de grupos. Um sentimento que se acentuou à medida que Paulinho, Willian, Gabriel Jesus, Neymar e Coutinho colocavam Guillermo Ochoa à prova. 

O guarda-redes "tricolor" foi operando sucessivos milagres, mas já sem a esperança de ver o ataque surpreender os brasileiros, focados nos quartos-de-final, fase na qual não terão Casemiro, que atingiu o limite de amarelos e cumprirá um jogo de suspensão.

Apesar da inspiração que já demonstrara em anteriores duelos com o Brasil, Ochoa nada pôde fazer perante a entrada supersónica de Roberto Firmino. O avançado do Liverpool rendera Philippe Coutinho a quatro minutos do final, depois de Willian ter detonado as linhas atrasadas do México, criando falhas e arritmias que Firmino aproveitou (88') para corresponder a um cruzamento de Neymar dois minutos depois de entrar em cena. 

Tite livrava-se em definitivo do fantasma de um prolongamento, interiorizando a ideia de que o Brasil é cada vez mais o cabeça de cartaz do torneio, depois da autêntica razia entre o lote de candidatos. Apesar dos problemas físicos que afectaram todo o trajecto dos pentacampeões mundiais, há cada vez mais razões para acreditar na magia do samba e de Neymar, que para além de estar a crescer, corre cada vez mais livre, sem as sombras de Messi e Cristiano Ronaldo. Frente ao México, o Brasil resgatou ainda o melhor ataque em Mundiais, com 228 golos, mais dois do que os alemães, campeões em título.