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35 horas semanais na saúde terá preço elevado, diz Rio

PSD reuniu o Conselho Estratégico. No final líder do partido criticou redução de horário semanal de trabalho no Serviço Nacional de Saúde.

Rui Rio presidiu à reunião do Conselho Estratégico do PSD
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Rui Rio presidiu à reunião do Conselho Estratégico do PSD LUSA/Sérgio Azenha

O presidente do PSD, Rui Rio, disse este sábado que Portugal vai pagar um preço político elevado pela redução das 40 para as 35 horas semanais na saúde, alegando que a medida sustenta o acordo de governo entre a esquerda parlamentar.

“É notório que o Governo teve de fazer esta alteração, passagem de 40 para 35 horas, para poder agradar ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda e assim formar a coligação parlamentar que foi formada”, disse Rio aos jornalistas, à margem da reunião do Conselho Estratégico Nacional do PSD, que decorreu em Coimbra.

O líder do PSD acrescentou que a medida de redução da carga horária semanal, que se aplica ao sector da saúde a partir de domingo, foi tomada “por necessidade político-partidária e não por estratégia de gestão da administração pública”. E argumentou: “Aquilo que os portugueses vão perceber cada vez mais e melhor é o custo de uma solução parlamentar onde há choques políticos e ideológicos muito fortes entre o Partido Socialista, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.”

Rio lembrou declarações dos bastonários dos Médicos e dos Enfermeiros sobre a situação e também os alertas feitos por ele próprio “já há meses”, na sequência de diversas visitas a hospitais: “Isto está mal e ainda vai ficar pior”, frisou. O líder do PSD assinalou que as críticas à medida do Governo não querem dizer que o país não possa um dia passar das 40 para as 35 horas no sector da saúde, “mas tem de ser feito de uma forma estruturada e sabendo o que vai acontecer e prevendo o que vai acontecer”. “Da forma como foi feito, o resultado é este e ainda vai ser pior”, alegou.

Questionado sobre a solução que devia ser adoptada, Rio considerou que é uma “excelente pergunta” para ser feita ao primeiro-ministro ou ao ministro da Saúde. “O PSD foi o partido que fez o contrário, não fez isso. Para nós, era evidente que ao fazer-se desta forma havia sectores onde não há problema nenhum e há sectores da administração pública, designadamente a saúde, onde há efectivamente problemas. Agora, tem de ser o Governo que criou este problema a dar a resposta ao problema que criou”, enfatizou.

Rio voltou a alertar que se a situação no Serviço Nacional de Saúde com falta de recursos face à passagem das 40 para as 35 horas semanais “já está muito mal, ela vai piorar” mas recusou usar a palavra ‘caos' para a definir.

“A classificação de caos, estamos no domínio do português, cada um pode achar [que é] caos ou não caos. Mas que a degradação dos serviços vai ser notória isso infelizmente parece-me que é inultrapassável. E infelizmente num sector muito importante para toda a gente que é o sector da saúde”, sustentou o presidente do PSD.

A partir de domingo, enfermeiros, assistentes e técnicos vão regressar às 35 horas de trabalho semanais, em vez das 40 actuais, numa altura de férias e em que há greves marcadas por sindicatos às horas extraordinárias. Os administradores hospitalares alertam que actividades programadas como cirurgias terão de ser reduzidas, caso não seja reposto o número de profissionais necessário para garantir a qualidade do serviço, na sequência da aplicação das 35 horas de trabalho semanais.

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