Opinião

O Império da Mentira

É triste que a Assembleia da República, que deveria ser a casa da democracia, se constitua como grupo de pressão para interesses ilegítimos e inconfessáveis.

O PÚBLICO publicou no dia 28 de Junho um artigo intitulado “Instituto Superior Técnico: Império da precariedade”, da autoria do deputado do Bloco de Esquerda Luís Monteiro. Este artigo enferma de diversas incorrecções factuais pelo que, ao abrigo do direito de resposta, solicito que seja publicado este esclarecimento, com igual destaque.

Atingiu o seu limite de artigos gratuitos

Não é verdade que o IST-ID seja uma entidade paralela, criada para atingir os fins enunciados pelo Sr. Luís Monteiro. Estão ligados ao IST mais de 20 centros de investigação, todos eles geridos, desde 2011, em instituições privadas sem fins lucrativos: o Instituto de Telecomunicações (IT), o INESC-ID, o INESC-MN, o LIP, o IDMEC e o IST-ID. Em todos os casos, o objectivo foi o de criar instituições ágeis e eficazes, que não estejam sujeitas à insuportável burocracia imposta às instituições públicas, que torna impossível a gestão de ciência em instituições públicas, como aliás ficou patente num recente manifesto.

Também não é verdade, como é insinuado no artigo, que o IST seja a única instituição que assim procede. Praticamente todas as universidades criaram este tipo de instituições, tais como o INESC TEC, o I3S, o IMM, para citar apenas três das muitas dezenas que existem. Porém, nenhuma destas instituições, nem tampouco o IT, INESC-ID, IDMEC, LIP e INESC-MN são referidas no artigo, apenas o IST-ID. Aliás, o Bloco de Esquerda nunca contestou a abertura de concursos em nenhuma outra instituição privada sem fins lucrativos, associada a outras universidades. Porquê então este comportamento persecutório para com o IST-ID, importa perguntar?

A explicação é muito simples. Trabalham em centros do IST-ID diversos militantes do Bloco de Esquerda, que gostariam de ser integrados nos quadros do Estado sem estarem sujeitos aos sempre desagradáveis concursos públicos, previstos na constituição. Seria muito mais simples se, por pressão política, o IST fosse forçado a integrar nos seus quadros estes investigadores, que são realmente bolseiros de instituições privadas. É triste que a Assembleia da República, que deveria ser a casa da democracia, se constitua como grupo de pressão para interesses ilegítimos e inconfessáveis.