Ministério Público abre inquérito a agressão racista no Porto

Inquérito está a correr no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, confirma Procuradoria-Geral da República ao PÚBLICO.

Nicol fotografada quatro dias depois da agressão
Foto
Nicol fotografada quatro dias depois da agressão Nelson Garrido

O Ministério Público abriu um processo de investigação à agressão racista a jovem colombiana de 21 anos na paragem de autocarros do Bolhão, na noite de 24 de Junho, por um segurança da empresa 2045 que fiscaliza a STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto).

Depois de os partidos como PCP, PS, BE e PSD terem pedido ao Governo explicações sobre o que aconteceu, e da queixa-crime ter sido feita pela própria jovem na esquadra da PSP no dia 24, a Procuradoria-Geral da República confirmou esta tarde ao PÚBLICO que já foi aberto um inquérito.

Nicol Quinayas, jovem colombiana de 21 anos de idade, que vive em Portugal desde os cinco, acusou o fiscal de a agredir brutalmente e de ter proferido insultos racistas como “Tu aqui não entras, preta de merda!" Várias testemunhas confirmam-no. Diz também que os polícias que se deslocaram à paragem de autocarros onde tudo aconteceu não a identificaram. Conta que apenas falaram com o fiscal. De facto, a PSP só elaborou o auto do acontecimento no local três dias depois.

O segurança da empresa que faz a fiscalização dos autocarros da STCP é visto num vídeo que está a circular na Internet com os joelhos em cima do corpo da jovem, a imobilizar-lhe o braço. Há sangue no chão. Membros da Equipa de Prevenção e Reacção Imediata da PSP deslocaram-se ao local.

Numa nota enviada às redacções na quinta-feira à noite, o Ministério da Administração Interna (MAI) afirmou, como tinha dito ao PÚBLICO, que a Inspecção-Geral da Administração Interna pediu à Direcção Nacional da PSP para averiguar o que se passou, através de um processo administrativo. Por sua vez, a PSP diz que foi aberto um processo de averiguação interno.

O ministro da da Administração Interna, Eduardo Cabrita, diz que "não tolerará fenómenos de violência nem manifestações de cariz racista ou xenófobo".