Xutos, Marcelo e Costa cantaram A Minha Casinha em honra de Zé Pedro

Os Xutos & Pontapés tocaram em todas as edições do Rock in Rio em Lisboa, e à oitava homenagearam o guitarrista que morreu em Novembro do ano passado. Foi na noite desta sexta-feira e teve a ajuda de políticos, actores e outros amigos da banda.

Guitarrista
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MIGUEL A. LOPES/LUSA
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Concerto de rock, Matthieu Chedid, Cantor e compositor
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Multidão
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Conferência de Notícias, Relações Públicas, Comunicação
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Concerto, grupo social
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Concerto, Músico
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Moh! Kouyaté, músico da Guiné-Conacri há muito radicado em Paris, tinha acabado de actuar no palco EDP Rock Street, dedicado à música africana. Não fez referências aos Xutos & Pontapés, pelo menos que o PÚBLICO tenha ouvido, mas pouco antes, no Music Valley, os Capitão Fausto já o tinham feito. Ainda com o barulho de palcos inconsequentes, sem cartaz propriamente dito, a fazer-se ouvir, e pessoas a deslizarem num slide de um lado para o outro por cima do Palco Mundo, os Xutos & Pontapés começaram às 19h45, ao som de À Minha Maneira. A banda, que veio a todas as edições do Rock in Rio em Lisboa, apresentou-se em palco com quatro elementos e quatro ventoinhas atrás deles e uma bandeira de Portugal à frente da bateria de Kalú.

Tim, o baixista-vocalista, tinha um sorriso de orelha a orelha, que não desmanchou ao longo da mais de uma hora em que a banda esteve em palco. Este, o oitavo, era um concerto diferente dos outros, o primeiro neste palco sem Zé Pedro, o guitarrista que morreu em Novembro do ano passado. Toda a gente, quer em cima do palco, quer no público, estava ciente da ausência, e não foi preciso assinalá-la logo ao início. Estava implícito em cada guitarrada de João Cabeleira, que assumiu as funções de único guitarrista do grupo.

Apresentou-se Fim do Mundo, o single lançado em Março, com os dois ecrãs ao lado do palco sempre a mostrarem Marcelo Rebelo de Sousa, Ferro Rodrigues ou Fernando Medina, que assistiam ao concerto — depois, juntou-se a eles António Costa. 

Atrás da banda, eram mostradas imagens do passado. Os políticos tentavam cantar a letra de Circo de Feras, mas não a sabiam de cor e notava-se. Tim repete “Mais uma vez boa tarde, pessoal” e garante ao público: “Só estamos aqui porque vocês querem, mais nada.” “Vão poder ouvir algumas coisas de que não estavam à espera”, explica, antes de tocarem Mar de Outono, que foi estreada no ano passado e fará parte de um possível próximo álbum.

Tim apresenta Não Sou o Único: “A próxima foi escrita pelo Zé Pedro. É uma canção que de certeza todos conhecem.” Segue-se Esta Cidade, que não suscitou grandes reacções dos políticos nos ecrãs, apesar do teor explícito e das imagens de repressão. Os ecrãs focam a já mencionada bandeira de Portugal e o público bate palmas.

Homem do Leme passa para Ai se ele Cai, que dá lugar a Contentores. “Vai pra casa, ó Costa”, grita uma anónima no público que pouco depois está a afirmar “g’anda Zé Pedro”. A chuva cai cada vez mais fortemente, até Tim anunciar que, “se tudo correr bem”, vão pegar numa gravação feita ao vivo no Estádio do Restelo e “tocar com o Zé Pedro mais uma vez em palco”. É isso que acontece, com Para Ti Maria e a imagem e som de Zé Pedro a aparecer nos ecrãs, com a presença da guitarra dele a contrastar com o resto do concerto. Uma homenagem a anos-luz, em termos de dignidade, do holograma de Tupac Shakur que Dr. Dre e Snoop Dogg apresentaram no festival de Coachella em 2012.

Antes do fim, com a chuva que caía com grande intensidade, Tim explicou que Marcelo Rebelo de Sousa foi um cúmplice que “instigou” este concerto e esta “homenagem a Zé Pedro”. O vocalista pediu “um minuto de barulho” em honra do falecido colega. Ao palco, subiram os políticos já mencionados, além de Catarina Martins, bem como várias pessoas que enchem o palco e a quem o vocalista se referiu como amigos da banda: Maria Rueff, Sá Pinto, Margarida Pinto Correia, Ramon Galarza, entre inúmeros outros. Cantaram A Minha Casinha, popularizada por Milú. A chuva cai cada vez mais, e o concerto acaba, com pessoas, incluindo António Costa, dentro e fora do palco a gritar “Portugal” e “Só mais uma”, que acabou por nunca vir.