Ter sempre o mesmo médico reduz a taxa de mortalidade, diz estudo

Um dos investigadores refere que há ainda “um lado muito humano na medicina” e que isso é visível nos resultados deste estudo.

As conclusões aplicam-se não só a médicos de família mas também a outros ramos da medicina
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As conclusões aplicam-se não só a médicos de família mas também a outros ramos da medicina Fábio Teixeira

Ser sempre acompanhado pelo mesmo médico reduz a taxa de mortalidade. É esta a conclusão de um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica BMJ Open, feito por um conjunto de investigadores da Universidade de Exeter e da Universidade de Manchester, no Reino Unido. Já se sabia que as pessoas que vêem sempre o mesmo médico são mais propensos a seguirem as suas indicações, a ter as vacinas em dia, e a irem menos vezes aos serviços de urgência – e este estudo mostra que há também uma relação com a taxa de mortalidade.

“Este artigo mostra que ainda há um lado muito humano na medicina que é muito importante e pode até ser uma questão de vida ou de morte”, diz ao Guardian um dos autores do estudo, Denis Pereira Gray.

A investigação teve por base uma série de documentos científicos e outros estudos publicados anteriormente que tinham dados relevantes quanto à taxa de mortalidade e ao número de pacientes que eram acompanhados pelo mesmo médico. Ao todo, foram analisados 22 estudos publicados depois de 2010, não só britânicos mas também do Canadá, Estados Unidos, França, Croácia, Holanda, Taiwan, Israel e Coreia do Sul.

Grande parte dos dados analisados dá a entender que existe uma redução da taxa de mortalidade das pessoas que eram acompanhados sempre pelo mesmo profissional de saúde, independentemente de se tratar de médicos generalistas ou especialistas. “Encontrámos artigos que incluem cirurgiões e psiquiatras, portanto acreditamos que se trata de um efeito humano transversal à medicina”, concluiu Gray.