Os astronautas precisam de ajuda? Robô Cimon vai a caminho

Dotado de inteligência artificial, capaz de reconhecer vozes e de flutuar, Cimon foi criado de raiz para ajudar os astronautas da Estação Espacial Internacional a completar tarefas.

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Cimon, o robô NASA

Parece uma bola de voleibol que flutua. Ou uma personagem de um filme de ficção cuja narrativa se desenrola em 2050. Mas não é. Baptizado Cimon – abreviatura de Crew Interactive Mobile Companion ou Companheiro de Tripulação Móvel Interactivo, numa tradução livre –, este robô foi desenhado para ajudar astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), para onde seguiu nesta sexta-feira a bordo de um SpaceX Falcon 9 (sim, o de Elon Musk).

Faz lembrar o HAL 9000 de 2001: Odisseia no Espaço e, de facto, a inspiração surgiu da ficção científica – mas neste caso, de uma banda desenhada, a Captain Futurelançada nos anos 40. Passada no espaço, conta a história de um robô senciente em forma de cérebro humano, apelidado Professor Simon, que serve de mentor a um astronauta chamado Capitão Futuro.

Cimon é o primeiro companheiro pessoal para astronautas, capaz de responder de viva voz (mas só em inglês) com recurso à inteligência artificial. Pesa cinco quilogramas e irá flutuar graças às 14 ventoinhas internas. Tem microfones e câmaras para reconhecer quando os astronautas precisam de ajuda e uma cara sorridente a acompanhar. Será capaz de reconhecer vozes humanas e de flutuar para perto de um humano quando for chamado – e também de assentir com a “cabeça” aos astronautas.

Desenhado pela Airbus (que tratou do hardware) e pela IBM (que tratou do software e da componente de inteligência artificial), o aparelho vai ter uma função específica: a de ajudar o astronauta alemão Alexander Gerst a levar a cabo algumas experiências na ISS.

“O que estamos a tentar fazer com o Cimon é aumentar a eficiência do astronauta”, explicou Matthias Biniok, engenheiro da IBM, à Reuters.

Para isso, Cimon será posto à prova em contexto real pelo Centro Alemão Aeroespacial. Chegado à ISS, o robô deverá ser capaz de completar três sessões, cada uma de uma hora, para demonstrar as suas habilidades: guiar Gerst num estudo de cristalogénese (formação de cristais de forma sintética), um teste de monitorização das oito câmaras a bordo e um exercício para o ajudar a resolver um cubo de Rubik.

Actualmente, os astronautas têm de ler as instruções das tarefas a partir de um portátil. Diz Biniok que é um processo árduo e que um companheiro como o Cimon – capaz de responder e sem fios – pode ser muito útil. “Actualmente, a nossa missão principal é apoiar os astronautas com as suas tarefas diárias para poupar tempo, porque o tempo é a coisa mais cara na Estação Espacial Internacional.”

Um robô para evitar os efeitos da solidão

Philipp Schulien, engenheiro alemão da Airbus, que se encarregou do hardware, disse à Reuters que alargar as habilidades dos astronautas no espaço é obrigatório para garantir a exploração espacial futura – especialmente para os que têm intenções de chegar a Marte em 2020.

Mas este robô pode ser útil para outras coisas. Espera-se que o Cimon evolua de forma a conseguir interpretar a forma como a tripulação interage entre si, as dinâmicas sociais que surgem e que podem escapar a quem está em terra, escreve a Wired

“Há alguns efeitos que podem surgir durante missões longas tais como o efeito de pensamento em grupo”, disse Schulien. Trata-se de um fenómeno comportamental no qual os humanos que passam muito tempo sozinhos são levados a tomar decisões irracionais. “Os grupos que passam muito tempo isolados tendem a deixar de comunicar com a terra”, disse. E um robô como Cimon, com uma personalidade de tipo humano, pode mitigar alguma desorientação que os astronautas sentem no espaço, crê Schulien.

A última viagem deste Falcon 9

Os sonhos megalómanos de Elon Musk não ficam por aqui, mas para o Falcon 9 Block 4 que levará Cimon ao espaço, esta é a última missão.

Com mais de duas toneladas a bordo, o Falcon 9 descolou do Centro Espacial Kennedy, na Florida (EUA), às 5h42 (hora local, 10h42 em Lisboa). Segue com mantimentos, carga e uma cápsula Dragon a bordo, encarregada de entregar todo o conteúdo à ISS. É a primeira vez que Elon Musk usa a combinação Falcon 9-Dragon. E é, também, a 15.ª missão de entrega de mantimentos com destino à Estação Espacial Internacional, escreve o site  The Verge.

Mas, para esta nave em particular, será a última. A Space X não irá tentar aterrar este Falcon 9, por se tratar de uma versão antiga que a empresa quer descontinuar. A partir de agora, apenas serão lançados os Block 5, uma versão mais poderosa dos foguetões a serem desenvolvidos pela SpaceX.