Serviço de Estrangeiros e Fronteiras

Imigração volta a subir em Portugal, Itália entra para top 10 de estrangeiros

Entra a Itália, sai a Espanha do ranking dos 10 países com mais cidadãos a viver em Portugal. Comunidade francesa continua a crescer e um terço é reformada. Aumentaram ligeiramente as concessões de nacionalidade.
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Um terço dos franceses e um quinto dos italianos está reformado Nuno Ferreira Santos

Depois de um abrandamento durante os períodos da crise, e pelo segundo ano consecutivo, em 2017 a população imigrante em Portugal voltou a aumentar, desta vez em 6%. No ano passado foram concedidos mais títulos de residência elevando para 421.711 o número de estrangeiros a viver em Portugal.

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Só nos novos títulos de residência — ou seja, imigrantes que vieram residir para Portugal pela primeira vez — verificou-se uma subida de quase 31%, com 61.413 emissões. Os que mais requisitaram estes documentos foram brasileiros (11.574), italianos (5267), franceses (4662) e britânicos (3832).

Estes são os dados do Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo 2017 do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que é apresentado nesta quarta-feira. Se compararmos com 2015, a subida dos novos pedidos é de 62,2% (37.851). Uma das explicações avançadas no documento passa pelo crescimento do número de cidadãos europeus em cerca de 29%, num total de 27.340 novos titulares.   

Embora os brasileiros continuem a dominar o primeiro lugar da tabela dos imigrantes a viver em Portugal, com 85.426 cidadãos, Itália foi o país que mais cresceu com um aumento de 50% em relação a 2016, totalizando agora os italianos quase 13 mil cidadãos a residir em Portugal.

A população francesa, que já tinha entrado para o top 10 em 2016, continuou a ganhar peso (mais 35,7%), mantendo uma tendência de subida acentuada e ultrapassando a Guiné-Bissau.

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Além disso, a entrada de França e Itália para o top 10 dos imigrantes “destronou” a Espanha, isto apesar do crescimento de 12,5% do número de espanhóis que residem no país e que agora somam 12.526.

A comunidade brasileira cresceu (5,1%) — pela primeira vez desde 2011. E a segunda comunidade estrangeira em Portugal mais representada é a cabo-verdiana que está acima dos 34 mil residentes.

“A entrada da França (em 2016) e da Itália (em 2017) na estrutura das dez nacionalidades mais representativas parece confirmar o particular impacto nos cidadãos estrangeiros oriundos dos países da União Europeia dos factores de atractividade já apontados em anos anteriores, como a percepção de Portugal como país seguro, bem como as vantagens fiscais decorrentes do regime para o residente não habitual”, refere o relatório.

Os cidadãos italianos e franceses a viverem em Portugal têm um nível de escolaridade elevado (é o caso dos 51% dos italianos e de 45% dos franceses). Um terço dos franceses e um quinto dos italianos está reformado.

Já a descida do número de cidadãos africanos (de 2,8%) registada pelo relatório, sobretudo de países de língua oficial portuguesa, é explicada pelo SEF com o número de aquisições da nacionalidade portuguesa.

No total, em 2017, o SEF emitiu 27.362 pareceres positivos para a atribuição da nacionalidade a cidadãos estrangeiros, e chumbou 1311 — um número ligeiramente acima das cerca de 26 mil concessões do ano passado. As nacionalidades mais representativas foram Brasil (10.805), Cabo Verde (3022), Israel (2539), Ucrânia (1960) e Angola (1613).

Entre a população imigrante, 81,6% está na categoria de potencialmente activa e o grupo etário entre os 20 e os 39 anos é o que se encontra mais representado. A faixa etária dos 65 ou mais anos (9,4%) tem um peso relativo superior à população de jovens entre os 0 e os 14 anos (9%).

Quanto à distribuição geográfica dos imigrantes, ela mantém-se idêntica à observada em anos anteriores, sobretudo concentrada no litoral. O Porto destaca-se com o maior aumento (14%), quase o dobro do que se verificou em Lisboa (5,2%). Porém, em termos brutos, o Porto está muito abaixo (27.486) de cidades como a capital (182.105), Faro (69.026) e Setúbal (35.907),

Por género, manteve-se a tendência também assinalada em anos anteriores: uma assimetria entre os títulos emitidos a homens (31.666) e a mulheres (29.747).

Mais vistos gold

O número de pedidos de asilo também subiu (mais 19,1%), registando-se um total de 1750 — incluindo os que vieram ao abrigo do mecanismo de recolocação. Destes, 119 receberam o estatuto de refugiado, e 381 receberam títulos de autorização de residência por protecção subsidiária.

De 163 pedidos europeus, 124 foram de ucranianos. Quanto às restantes origens, a grande maioria foi de africanos (711) — com destaque para os nacionais da República Democrática do Congo (158), de Angola (121), da Eritreia (67), do Congo (58) e da Guiné (42). Seguiram-se a Síria (426), o Iraque (283), o Afeganistão (32), o Paquistão (21) e o Irão (18). A maioria dos requerentes é do sexo masculino (61,2%) e tem entre 19 e 39 anos.  

Quanto aos chamados vistos gold, ou autorização de residência para investimento, as decisões favoráveis somaram 1351, sendo que se emitiram 1292 primeiros títulos (tinham sido 1172 em 2016). Os vistos gold representaram um investimento superior a 844 milhões de euros: os principais beneficiários destes títulos foram a China (538), o Brasil (226), a África do Sul (81), a Turquia (78) e a Rússia (47). Dois deles foram concedidos em 2017 pela criação de pelo menos 10 postos de trabalho.