Helder Macedo vence prémio Eduardo Prado Coelho

Atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores, o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho foi atribuído ao livro Camões e Outros Contemporâneos.

Hélder Macedo, Camões e outros contemporâneos
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Helder Macedo Miguel Manso

Camões e Outros Contemporâneos, um volume em que Helder Macedo reúne textos dedicados a autores portugueses de diferentes épocas, dos poetas medievais aos seus camaradas de tertúlia do café Gelo, ganhou o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, atribuído por um júri composto por Artur Anselmo, Clara Rocha e Isabel Cristina Rodrigues.

Atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores com o apoio da Câmara Municipal de Famalicão, este prémio, com o valor pecuniário de 7500 euros, vem assim somar-se ao Prémio D. Diniz, da Fundação Casa de Mateus, que já fora atribuído em Março a este mesmo livro, editado pela Presença em 2017.

“Contemplando oito séculos de literatura, que o autor torna também contemporâneos da sua própria dicção ensaística, este livro impõe-se pela mestria da sua linguagem, precisa, arguta e inventiva, muito fértil como chão da verdadeira tarefa que é a do ensaísmo literário – pensar a literatura dentro da própria literatura”, escreveu o júri do prémio Eduardo Prado Coelho, que desde a sua primeira edição, em 2010, já distinguiu Victor Aguiar e Silva, Manuel Gusmão, João Barrento, Rosa Maria Martelo, José Gil, Manuel Frias Martins, José Carlos Seabra Pereira e Isabel Cristina Rodrigues.

Com estudos que vão de D. Dinis, Bernardim Ribeiro ou Camões a Cesário Verde ou Manuel Teixeira Gomes, e ainda textos de natureza mais testemunhal dedicados a autores da geração do próprio Helder Macedo, como Mário Cesariny, Herberto Helder ou Manuel de Castro, o volume encerra com uma espécie de história abreviada da literatura portuguesa, na qual os principais escritores de cada época são enquadrados nos seus respectivos contextos históricos e culturais.

Numa entrevista ao PÚBLICO por ocasião do lançamento do livro, Helder Macedo justifica assim o título que escolheu: “Contemporâneos são aqueles com quem vivemos: este livro está cheio de mortos, mas para mim estão todos vivos”.

Tendo-se estreado como poeta em 1957, com Vesperal, Helder Macedo, há muito radicado no Reino Unido, é também ficcionista – Tão Longo Amor Tão Curta a Vida (2013) é o seu romance mais recente –  e autor de uma extensa obra ensaística, na qual se destacam os livros que dedicou a autores como Bernardim Ribeiro, Camões ou Cesário Verde.