Madeira reage a cancelamentos da TAP: “Não podem abandonar os passageiros”

Perto de uma centena de voos da companhia foi cancelada desde sábado. Companhia justificou com questões operacionais. Funchal diz ser lamentável que TAP abandone os passageiros e formalizou protesto a Lisboa

Aviação, pista, aeroporto, avental
Foto
No caso do Funchal, foram cancelados três voos com os passageiros a não receberem qualquer apoio por parte da companhia daniel rocha

Perto de uma centena de voos da TAP foi cancelada desde o passado sábado nos aeroportos de Lisboa e do Porto, com a companhia a justificar os cancelamentos com “motivos operacionais”.

De acordo com a agência Lusa, que cita o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava), Fernando Henriques, no fim-de-semana foram cancelados mais de 70 ligações. “Só no domingo estamos a falar de 40 voos, ou seja, 10% da operação cancelada”, contabilizou o responsável pela Sitava. Os passageiros foram informados que os cancelamentos foram motivados por falta de tripulantes.

Voos internacionais para Barcelona e outras cidades europeias, e de longo curso como para o Rio de Janeiro foram afectados, tal como ligações nacionais Lisboa-Porto e voos do continente para a Madeira.

No caso do Funchal, foram cancelados três voos (dois provenientes de Lisboa e um do Porto), com os passageiros a não receberem qualquer apoio por parte da companhia. A situação motivou, esta manhã, uma reacção dura do vice-presidente do governo madeirense, Pedro Calado.

“Fazer cancelamentos em cima da hora, sem avisar os passageiros, deixando-os quase ao abandono nos aeroportos como aconteceu este fim-de-semana no Porto e em Lisboa, é uma situação lamentável”, disse o governante aos jornalistas, à margem de uma iniciativa.

Calado diz que o Funchal compreende as dificuldades operacionais da companhia, e falta de mão-de-obra, mas sublinha que a Madeira não pode ser abandonada. “A TAP não pode abandonar os passageiros nos aeroportos como se tem vindo a fazer, sem qualquer indicação ou acautelamento com hotéis ou refeições.”

O número dois do governo madeirense garante que a região autónoma tem acompanhado “com preocupação” estes cancelamentos e tem sensibilizado a administração da companhia para as necessidades da Madeira, cuja mobilidade é assegurada apenas por meios aéreos. “Foi por estes motivos, que nós alertamos sempre o Governo da República, que deveria ter tido muito mais atenção quando fez a privatização da TAP, no sentido de acautelar o serviço público mínimo que tem de ser garantido às ilhas”, afirmou Pedro Calado, lamentando as dificuldades que têm sido colocadas à entrada de uma terceira companhia na linha Madeira – Continente.

Neste momento, as ligações entre o Funchal, Lisboa e Porto são asseguradas pela TAP e pela EasyJet, mas o Governo regional quer um terceiro player. “Da nossa parte já teríamos aqui uma terceira e até uma quarta companhia a operar. Mas esbarramos sempre com impedimentos”, diz, apontando para a NAV e para a ANAC. “Para a Madeira, há dificuldades em conceder slots ou é espaço para navegação aérea, mas depois há slots e espaço para outros destinos e outras companhias”, afirmou.

Protesto formal

Ao final da tarde, o executivo madeirense decidiu formalizar o protesto junto do Governo da República. Numa carta envida ao primeiro-ministro António Costa e ao ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, o Funchal solicita uma intervenção de Lisboa para quem sejam tomadas medidas que evitem o “acumular de danos avultados” aos madeirenses e à “economia regional”.

A carta, que seguiu com o conhecimento do Presidente da República, do representante da República para a Madeira e do presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, protesta contra a “repetida e continuada” forma como a TAP tem cancelado voos para o arquipélago, desde Março passado.

Em três meses, nas contas de Pedro Calado, a companhia já cancelou mais de 70 voos para o Funchal, afectando 9500 passageiros. “Os sucessivos cancelamentos revelam-se um abuso sistemático que é contrário ao bem comum, na medida em que lesa os portugueses e, de modo particular, a Madeira e o Porto Santo, os seus cidadãos e a sua economia”, lê-se na carta, que lamenta os episódios “dramáticos ocorridos nos aeroportos”, que têm sido vividos por jovens alunos atletas.