Carlos Queiroz critica arbitragem e jogadores portugueses. Quaresma responde na mesma moeda

Seleccionador do Irão acredita que os iranianos mereciam vencer e que o cotovelo de Ronaldo sobre Pouraliganji devia ter sido punido com um cartão vermelho.

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Carlos Queiroz: "Com o VAR, não há espaço para erros humanos" LUSA/RUNGROJ YONGRIT

Carlos Queiroz, técnico da selecção iraniana, admitiu ser um "mau perdedor" no final do jogo contra Portugal e aproveitou a conferência de imprensa para tecer várias críticas à arbitragem – especialmente ao videoárbitro (VAR): “O senhor Infantino [presidente da FIFA] e a FIFA têm de perceber que o VAR não está a ir bem. Há várias queixas”, refere. No entender de Queiroz, o Irão merecia ganhar e o cotovelo de Ronaldo devia ter sido punido com um cartão vermelho.

“O lance do Cristiano Ronaldo é um vermelho claro para mim. Não vou ser simpático com o que aconteceu e isto vai ser mal interpretado por causa do jogador que é: quando se pára um jogo por causa de um cotovelo, ou é um cotovelo ou não é um cotovelo. Não há meios cotovelos”, criticou o treinador do Irão. Referia-se ao lance que envolveu Cristiano Ronaldo e Morteza Pouraliganji, e que teve de ser revisto pelo árbitro com recurso às imagens televisivas. “As regras não dizem ‘e se for o Ronaldo ou o Messi’. É um cartão vermelho. As decisões têm de ser claras”, reforçou.

“Cinco homens sentados lá em cima e não vêem um cotovelo. Por favor”, disse ainda Queiroz. “Com o VAR, não há espaço para erros humanos. Agora temos um sistema que custou uma fortuna, com seis pessoas dentro de um espaço. Os árbitros em campo lavam as mãos como Pilatos”.

“Não quero estar a falar muito sobre o meu país porque vão fazer uma guerra contra mim, mas já estou habituado a ser um homem contra a nação e não tenho problema nenhum com isso. Depois do Mundial de África do Sul [em 2010], estou habituado a ter o país contra mim e eu contra o país”, continuou o seleccionador que orientou Portugal no Mundial 2010 e deixou o cargo envolto em polémica, após insultos ao presidente da Agência Antidopagem.

Para Queiroz só havia um vencedor claro: o Irão. “Só um vencedor deveria ter surgido deste jogo e devia ter sido o Irão”, disse. “Merecíamos ganhar. Sou um mau perdedor, orgulhoso, mas frustrado”. “Não estou de bom humor, como podem ver. Devia ter existido pelo menos mais um penálti contra Portugal, pelo menos um”, comentou.

Irritado, lamentou “oportunidade desperdiçada no fim do jogo” e desejou “as maiores felicidades a Portugal”. A fechar, Queiroz deixou algumas críticas a jogadores portugueses: “Fui cumprimentado por alguns jogadores. Adrien, Bruno Alves, Cédric e Beto. Não me lembro de mais nenhum, mas lembro-me de todos os jogadores espanhóis e brasileiros que me cumprimentam quando jogo contra eles”.

Quaresma responde: "Ele, como português, devia respeitar mais os portugueses"

Em declarações aos jornalistas no final do jogo, Ricardo Quaresma disse que não gostou da atitude de Carlos Queiroz ao longo do jogo. “[Os jogadores] não me irritaram, irritou-me mais o treinador. Ele, como português, devia respeitar mais os portugueses. Mas pronto, isso é conversa para outros dias”, atirou.

O extremo, que aos 34 anos se tornou no jogador mais velho a marcar na fase final de uma grande competição, admitiu que marcou “um grande golo”, mas “o mais importante foi alcançar o grande objectivo de todos nós, que era chegar à fase seguinte. Vamos pensar jogo a jogo”.