Crítica

Gus Vant Sant joga pelo seguro

Um momento de pausa na carreira do realizador.

Gus Van Sant, não se preocupe, ele não vai ficar longe a pé, John Callahan, Festival de Cinema de Sundance, Good Will Hunting
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Gus Van Sant, Jack Black, não se preocupe, ele não vai ficar longe a pé
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Gus Van Sant, não se preocupe, ele não vai ficar longe a pé
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John Callahan, não se preocupe, ele não vai ficar longe a pé
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Gus Van Sant, não se preocupe, ele não vai ficar longe a pé, Festival de Cinema de Sundance de 2018
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Rooney Mara, Una, Melro-preto, Filme, Toronto International Film Festival
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Gus van Sant tem construído uma carreira irregular, em constante vai-e-vem entre projectos pessoais como Gerry, Elephant ou Paranoid Park, e filmes mais mainstream,  “de prestígio”, como Terra Prometida ou Milk. Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé tem elementos de ambas as vertentes: o realizador trabalhava há anos nesta adaptação da autobiografia do cartoonista paraplégico John Callahan (que chegou a trabalhar na adaptação antes da sua morte em 2010), projecto caro ao falecido Robin Williams, originalmente escalado para o interpretar. Mas a textura convencional de filme biográfico revela que é também um “porto de abrigo” para o realizador, depois do desastre de The Sea of Trees e das reacções decepcionadas à mini-série que produziu para a HBO sobre o movimento LGBT nos EUA, When We Rise.

Nada garante que não volte a tirar um coelho da cartola, mas para já Não Te Preocupes, Não Irá Longe a Pé ficará como colheita menor, apesar de um Joaquin Phoenix em óptima forma e o elenco cheio de amigos (Udo Kier, Beth Ditto, Kim Gordon). A montagem em alternância temporal (sobretudo na primeira metade do filme) e a câmara de Christopher Blauvelt. sempre à procura de um alvo em movimento enquanto Phoenix se tenta escapulir de maneira travessa, bem querem puxar o filme para outro lado, mas Van Sant fica-se pela convenção filmada sem convicção, como se estivesse a lamber as feridas.