Reportagem

“O exame do ano passado era um rebuçado. O deste ano? Sopa”

Alunos consideram prova de Matemática A do 12º ano longa e difícil. Divisão em dois cadernos complicou a vida.

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Hélder, 17 anos, está com cara de poucos amigos enquanto revê o enunciado do exame nacional de Matemática A. Fazemos-lhe uma pergunta para início de conversa: “O exame correu bem?” A resposta é seca: “Não!” À porta da Escola Secundária Francisco de Holanda, em Guimarães, num grupo onde estão mais seis estudantes, a análise é unânime: a prova era longa e difícil. Outros colegas que saem do edifício nos minutos seguintes reforçam essa opinião.

Ao longo da conversa, Hélder é mais ilustrativo: “O exame do ano passado era um rebuçado. O deste ano? Sopa!”

Tinha resolvido a prova de 2017 (que teve média nacional de 11,5 valores) durante a preparação e sentia-se pronto para, pelo menos manter, a nota de 15 valores a Matemática com que vai terminar  o ensino secundário. Agora, tem dúvidas de que isso seja possível.

As maiores dificuldades do exame nacional de Matemática A foram colocadas pela questão 9, sobre números complexos, conta este aluno, mas sobretudo pela última pergunta da prova, uma função complexa, onde os estudantes tinham que provar a existência de pelo menos um número real. “O problema maior foi a última”, diz, num grupo de alunos diferente, José Pedro Carvalho. “A última, a última!”, repete uma outra aluna.

Os alunos concordaram que a derradeira questão da prova era a mais complicada e estavam também alinhados no principal assunto de quase todas as conversas: a estrutura do exame deste ano.

Ao contrário do que vinha sendo habitual nos anos anteriores, o exame nacional de Matemática A foi dividido em dois cadernos.

Para responder ao primeiro, os alunos podiam utilizar a máquina de calcular. Dispunham de 75 minutos, mais 15 minutos de tolerância, para resolvê-lo. Depois disso, um professor em cada uma das salas de exame recolheu todas as calculadoras, que já não podiam ser usadas na segunda parte da prova nacional – para a qual tinham igual tempo de resposta.

"Somos sempre as cobaias"

A novidade causou transtorno à generalidade dos estudantes. “A dada altura era tanta papelada em cima da mesa que tinha dificuldade em organizar-me”, confessa Maria Novais, uma das primeiras alunas a terminar o exame.

“Nós somos sempre as cobaias do Iave [Instituto de Avaliação Educativa, o organismo público responsável pela elaboração dos exames nacionais]”, queixa-se Ana, já fora da escola. “Se quisesse voltar atrás a alguma das perguntas do 1.º caderno, não podia”, explica.

Foi também essa a dificuldade sentida por José Pedro Fernandes, que encontramos num outro grupo de alunos. Na parte final do exame, quando teve tempo para rever a prova de fio a pavio, descobriu que tinha um erro numa das questões do 1.º caderno e “já não podia refazer os cálculos porque já não tinha a máquina”.

Ainda no mesmo grupo de Ana, Bruna considera que a calculadora teria sido útil na segunda parte do exame. “Havia perguntas que se tornaram impossíveis sem a máquina”, afirma, sendo secundada por Catarina, que entretanto se juntou à conversa. “Houve uma questão que eu nem sequer respondi por causa disso”, diz, desapontada.

Estavam inscritos para a prova desta segunda-feira 47.956 estudantes.