Alunos foram "prejudicados" pelo tipo de exame proposto para Matemática A, dizem professores

Sociedade Portuguesa de Matemática diz que foi posta em prática "uma receita para o desastre".

O exame teve na base dois programas distintos
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O exame teve na base dois programas distintos Rui Gaudêncio

Os alunos do 12.º ano que realizaram nesta segunda-feira o exame de Matemática A foram “prejudicados” pelo tipo de prova que lhes foi proposta, alertam a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) e a Associação de Professores de Matemática (APM) que, contudo, apresentam motivos distintos para sustentar esta conclusão em comum.

“Ficou reunida a receita para o desastre”, diz o presidente da SPM, Jorge Buescu. E isto aconteceu porque o Instituto de Avaliação Educativa (Iave), que elabora os exames, “mudou completamente a estrutura do exame sem que antes tenha elaborado uma prova-tipo, o que sempre recusou, ou promovido a realização e testes intermédios”, explicita Buescu.

Por outro lado, acrescenta, a mesma prova contém “quatro ou cinco perguntas em alternativa que têm na base o novo programa da disciplina e o antigo, o que torna as coisas ainda mais confusas”, adiantou. Já quanto ao conteúdo, a SPM considera que "não era particularmente complicado".

No seu parecer escrito, entretanto divulgado, a SPM dá um exemplo: "No item 10, os alunos do antigo programa poderiam responder a qualquer uma das alternativas apresentadas, ao passo que o novo programa apenas contempla uma delas." Por tudo isto, diz, criou-se "uma situação de incerteza e potencial injustiça em relação ao acesso ao ensino superior".

O novo programa de Matemática A entrou em vigor há três anos, quando muitos dos alunos que fizeram exame nesta segunda-feira ingressaram no 10.º ano. Já para os estudantes que optaram por repetir o exame, por terem chumbado anteriormente ou por pretenderem melhorar a nota, este programa era um objecto estranho.

O Iave garantiu, por isso, que a prova integraria “componentes comuns” aos dois programas, uma proposta que a SPM sempre criticou por considerar que, estando em causa dois referenciais distintos, deveriam existir também dois exames distintos.

“Globalmente um aluno mediano vai ter dificuldade em ter um resultado de exame que seja compatível com a sua nota interna [a que é dada pela escola]”, afirma o dirigente da APM Paulo Correia, explicando que tal se deve ao facto de a prova ter “vários itens que apresentam um grau de dificuldade elevado, quando o que seria natural é que não existisse mais do que um ou dois com estas características”.

Quanto à coexistência dos dois programas numa mesma prova, o dirigente da APM refere que correspondeu à “informação divulgada anteriormente pelo Iave”, sendo o exame “adequado” para os dois grupos de alunos.

Nesta segunda-feira estavam inscritos mais de 62 mil alunos para as provas do dia: Matemática A, a mais concorrida, com quase 48 mil inscritos: Matemática B (2700 inscritos) e Matemática Aplicada às Ciências Sociais (cerca de 12 mil). Aqui pode consultar os critérios de correcção de Matemática A.