Trabalho infantil está a aumentar na indústria do tabaco

Empresas dizem estar a adoptar medidas para evitar o recurso à mão-de-obra infantil, mas a situação não tem melhorado em países como o México, a Argentina, a Índia ou o Zimbabwe.

Tabaco
Foto
Reuters/PHILIMON BULAWAYO

A indústria do tabaco está a recorrer cada vez mais ao trabalho infantil, sobretudo em países mais pobres. Esta é a conclusão de uma investigação do Guardian, publicada nesta segunda-feira, que analisou a situação em três continentes. No Malawi, há crianças forçadas a deixar a escola para ajudar os pais nas plantações, a quem as companhias de tabaco só paga após a colheita. No México, o jornal viu crianças a trabalhar em sete de dez plantações visitadas. Na Indonésia, o diário falou com várias crianças trabalhadoras, incluindo uma que se queixava de problemas de saúde resultantes da actividade.

As multinacionais do tabaco garantem ao jornal britânico que estão a avançar com medidas para travar o recurso ao trabalho infantil. No entanto, o fenómeno continua aumentar em países onde famílias altamente endividadas vêem-se forçadas a aceitar ofertas de trabalho apresentdas aos seus filhos. “Não foram tomadas medidas efectivas para reverte este cenário”, garante, por exemplo, Vera da Costa e Silva, da Convenção Quadro da Organização Mundial de Saúde para o Controlo do Tabaco, acrescentando que, em 2011, 1,3 milhões de crianças trabalhavam na produção de tabaco e que o número tem aumentado em países como a Argentina, a Índia ou o Zimbabwe.

"O que acontece é que a produção de tabaco dá lucros á indústria, mas dá rendimentos muito baixos aos próprios produtores de tabaco", diz ainda Vera da Costa e Silva.

A denúncia não é inédita, com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos a listar oficialmente 16 países onde se suspeita que a indústria do tabaco recorra a mão-de-obra infantil, e a organização não-governamental Human Righs Watch a registar o fenómeno no Bangladesh, Cazaquistão, Indonésia, Brasil e Zimbabwe.