Selecção da Suécia uniu-se para gritar "Fuck racism"

Jimmy Durmaz, descendente de uma família assíria e autor da falta que originou o golo do triunfo alemão, foi massacrado nas redes sociais.

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Jimmy Durmaz, ao centro, foi alvo de fortes críticas de muitos adeptos suecos Reuters/PILAR OLIVARES

Perder um jogo no último lance de uma partida, ainda para mais depois de ter estado em vantagem no marcador, é algo que a Suécia não vai esquecer tão depressa neste Mundial. Durante o treino de ontem, o ambiente na selecção nórdica ainda era naturalmente pesaroso, até porque não foi só a derrota a assombrar o encontro de Sochi. Jimmy Durmaz, jogador sueco descendente de uma família assíria que emigrou da Turquia, foi alvo de comentários racistas nas redes sociais por parte de adeptos nórdicos. Tudo porque esteve na origem da falta que resultou no golo do triunfo da Alemanha. A equipa uniu-se em torno do extremo e gritou em uníssono: “Fuck racism”.

Uma torrente de comentários inundou as redes sociais logo após o apito final no Estádio Fisht tendo como alvo o médio, de 29 anos, que alinha no Toulouse, de França. Durmaz entrou em campo aos 74’ para render Viktor Claesson e acabou por ser infeliz ao derrubar o alemão Timo Werner junto à entrada da área. A frustração dos adeptos fez-se sentir da pior maneira possível.

Ontem, Durmaz leu uma mensagem a condenar o sucedido, apoiado por todos os colegas da selecção. “Estou muito triste com tudo isto. É uma merda”, lamentou ao PÚBLICO o ponta-de-lança Marcus Berg, instantes depois de um curto treino no Estádio Spartak, em Gelendzhik, uma agradável cidade turística nas margens do Mar Negro onde a Suécia montou o seu quartel-general na Rússia.

“Na minha opinião, é inaceitável este tipo de comportamentos na nossa sociedade. Temos de demonstrar claramente que estamos com ele”, reforçou Marcus Berg, que alinha actualmente no Al-Ain, dos Emirados Árabes Unidos.

No final do jogo o próprio Durmaz, nascido em Örebro, na Suécia, ainda procurou desdramatizar o incidente. “Não é nada que me incomode”, disse aos jornalistas. “Estou aqui orgulhoso e a representar o meu país.” Mais longe foi o seu companheiro de equipa John Guidetti. “Ele correu e lutou durante o jogo, mas teve azar. É completamente idiota sujeitá-lo a este ódio por isso”, concluiu o atacante do Alavés, de Espanha.

“Continuamos tão desiludidos como depois do jogo, mas vamos conseguir recuperar de tudo isto e enfrentar o México [na próxima quarta-feira] nas melhores condições”, sintetizou Marcus Berg, garantindo que a equipa continua dependente de si própria para prosseguir para os oitavos-de-final. “O México é uma excelente equipa e tem conseguido excelentes resultados, mas penso que temos todas as chances de seguir em frente. Temos também grande qualidade e estou realmente convencido de que conseguiremos ganhar.”

E como se recupera mentalmente de um desaire confirmado no derradeiro suspiro de um encontro tão importante? “Foi duro sofrer um golo no último instante e continua a ser. Foi mesmo o último remate da partida, mas temos de aceitar e continuar. Somos fortes, confiamos na nossa qualidade e vamos esquecer o jogo com a Alemanha.”