Portugal continua na Rússia, mas vai para o “lado mau” do Mundial

França, Brasil ou Alemanha podem vir a estar no caminho da selecção nacional se esta vencer o Uruguai nos oitavos-de-final.

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Quaresma fez o golo de Portugal LUSA/PAULO NOVAIS

Foi intenso, duro, polémico e colocou Portugal no “lado mau” do Mundial 2018. Se há dois anos, em França, um golo do islandês Traustason no minuto 94 do Islândia-Áustria empurrou Portugal para o “lado bom” do Europeu, desta vez o apuramento da selecção nacional também sofreu uma reviravolta no período de descontos. No minuto 90 da última jornada do Grupo B, Portugal vencia em Saransk o Irão (1-0), a Espanha perdia em Kaliningrado contra Marrocos (1-2). O 1.º lugar era português. Um golo espanhol e um penálti controverso a favor do Irão alterou tudo. Ansarifard fez um empate (1-1) que não evita o apuramento da selecção portuguesa, mas Portugal terá que viajar para Sochi, um dia a menos de descanso e ficará no lado onde, previsivelmente, estarão a França, o Brasil e a Alemanha. O Uruguai, no próximo sábado, é o rival que se segue.

Cerca de hora e meia antes do início do jogo, quando os jornalistas receberam o terceiro “onze” de Portugal no Mundial, ficou claro que os resultados positivos alcançados nos dois primeiros jogos foram insuficientes para convencer Fernando Santos. O desagrado do seleccionador pela exibição contra Marrocos fora evidente e, da prometida conversa com os jogadores, resultaram três alterações. A nível táctico, era um regresso a um passado recente.

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Tal como tinha acontecido durante toda a qualificação – excepção ao primeiro jogo na Suíça -, o 4x4x2 com Cristiano Ronaldo e André Silva foi sempre o “plano A” de Fernando Santos. Na Arena Mordovia, o avançado do AC Milan voltou a surgir ao lado do capitão português. Até aí, nada de surpreendente. Menos previsíveis eram as saídas de João Moutinho (uma gripe condicionou a preparação do médio) e de Bernardo Silva. Entraram Adrien e Quaresma. O jogo, até ao minuto 53, foi outro.

A precisar de ganhar para conseguir um apuramento que seria histórico para o Irão, Carlos Queiroz não surpreendeu. Os iranianos deram a bola aos portugueses, defendiam em 4x1x4x1 e esperavam pelo momento certo para ripostar. Um filme já visto no duelo dos asiáticos com Marrocos e Espanha. Só que a selecção portuguesa entrou bem. Com André Silva, Ronaldo ganhou espaço. Com Quaresma, Portugal ganhou magia.

Logo aos 3’, Quaresma e Ronaldo fizeram estragos na defesa iraniana. Beiranvand defendeu com dificuldade. Pouco depois, o guarda-redes desentendeu-se com Ezatolahi. João Mário rematou por cima. Portugal jogava bem, mas as boas notícias chegavam de Kaliningrado: Marrocos marcava à Espanha. Pouco depois, o empate espanhol. Os portugueses ficavam em desvantagem no primeiro critério de desempate: o número de golos marcados.

A partir daí, o jogo acalmou. O Irão tinha aguentado o primeiro assalto e, com mais de 70% de posse de bola, a equipa de Fernando Santos iniciava um jogo de paciência. Com a equipa de Queiroz muito recuada, Ronaldo tentou de longe (40’), mas a resistência persa foi quebrada à trivela: com um remate “à Quaresma”, Quaresma fazia, aos 45’, um dos melhores golos do Mundial.

Passavam a ser precisos dois golos do Irão para eliminar Portugal, mas bastava um da Espanha para colocar os portugueses no caminho de Suárez e Cavani. E o 1.º lugar para a selecção nacional podia ter ficado garantido no minuto 53. Cristiano Ronaldo sofreu uma falta clara, mas o árbitro paraguaio Enrique Caceres teve que recorrer ao VAR para assinalar o óbvio. Só que o capitão português perdeu o duelo com Beiranvand. A defesa do guarda-redes do Persepolis foi o aditivo que os adeptos e jogadores iranianos precisavam. 

A partir desse momento, o jogo descontrolou-se para Portugal e para o árbitro, que ficou sob enorme pressão dos adeptos, jogadores e banco do Irão. Com menos segurança do que na primeira parte, os portugueses começaram a ficar mais expostos. Pepe com um grande corte evitou o perigo, aos 58’; Ghodos rematou ligeiramente ao lado, aos 72’.

Apesar da incerteza em Saransk, novo golo de Marrocos parecia ter garantido o 1.º lugar do Grupo B a Portugal. Só que, nos descontos, tudo mudou. Quando, em Kaliningrado, Aspas fez o golo que evitou a derrota da Espanha, o árbitro paraguaio considerou, após recorrer ao VAR, que uma bola no braço de Cédric era grande penalidade. Ao contrário de Ronaldo, Ansarifard não falhou perante Patrício. Desta vez, o minuto 94 colocou Portugal no “lado mau”.