Jerónimo diz que não "assina de cruz" o próximo Orçamento

"É perante a peça que se talha a obra", afirma o líder dos comunistas, fazendo depender o voto do partido do teor do documento.

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Rui Gaudencio

O secretário-geral do PCP afirmou, na sexta-feira ao fim da noite, que não irá "assinar de cruz" o Orçamento do Estado (OE) para 2019 e lembrou que não se pode pronunciar sobre algo que ainda não existe.

"É perante a peça que se talha a obra, quando vier a proposta decidiremos. Se corresponder aos interesses dos trabalhadores e do povo, se houver novos avanços perspectivados, naturalmente estaremos nessa batalha, mas não peçam ao PCP para assinar de cruz e para, de uma forma precipitada, dizer sim ou dizer não", afirmou Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa falava, sexta-feira ao final da noite, no Fundão, distrito de Castelo Branco, onde participou num jantar/convívio dedicado ao tema "Valorizar os Trabalhadores - Mais força ao PCP". Na sessão, o líder comunista lembrou que já está no horizonte a "batalha" do OE para 2019 e frisou que já começou "a chantagem para o moldar à medida dos grandes interesses."

"Começou com os pronunciamentos sobre apocalipses futuros, vindos de membros do Governo, que fazem depender o sucesso do país da necessidade de mais uns anos com salários congelados, serviços públicos degradados, investimento restringido e muito aquém das necessidades de promoção do desenvolvimento", apontou.

Segundo garantiu, a chantagem "prosseguiu com o Programa de Estabilidade enviado à Comissão Europeia e que continuou com a Comissão Europeia a fazer voz grossa, a dar cínicos conselhos, a exigir cortes nas funções sociais, incluindo no Serviço Nacional de Saúde."

Jerónimo de Sousa reiterou que é "preciso ficar claro" que o PCP não cede a pressões, nem àqueles que avisam que é preciso ter cuidado porque se o PCP não aprovar o orçamento se vai dar "com os burrinhos na água".

"Primeira questão, mas há algum orçamento? Há alguma proposta de orçamento? Então querem que o PCP diga sim ou diga não a um orçamento que não existe?", questionou, respondendo, de seguida, que só após a proposta se definirá o sentido de voto.