BMW junta-se a Airbus e lança aviso sobre o Brexit

A falta de uma posição clara sobre a manutenção do acesso ao mercado único depois do "Brexit" obriga a BMW "a fazer planos de contingência”. “Esta é uma questão decisiva que, em última instância, poderá prejudicar a indústria”, avisa o responsável pela BMW no Reino Unido.

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A empresa produz modelos Rolls Royce e Mini no Reino Unido Reuters/JORGE SILVA

A BMW alertou, nesta sexta-feira, para a “perda de competitividade” da indústria automóvel no Reino Unido causada pela “incerteza provocada pelo Brexit” e pela falta de consenso quanto aos acordos comerciais. Segue o exemplo da Airbus, empresa que na quinta-feira ameaçou reconsiderar os investimentos e a presença no Reino Unido em caso de falta de acordo. 

O responsável pela BMW Reino Unido, Ian Robertson, diz que a empresa precisa de uma posição clara do Governo britânico sobre os acordos comerciais até ao final do Verão: “Se não tivermos uma posição clara nos próximos meses teremos de fazer planos de contingência…”, alerta Robertson, em declarações à BBC.

O responsável está preocupado com as consequências para a produtividade da BMW, se o Reino Unido não conseguir um acordo com a União Europeia sobre a presença na união aduaneira. Afecta a “competitividade do Reino Unido” num “mundo muito competitivo”, disse à BBC. “Esta é uma questão decisiva que, em última instância, poderá prejudicar a indústria”, avisa Robertson.

A BMW produz modelos Mini e Rolls Royce em solo britânico e emprega cerca de 8000 pessoas. Para contrariar a incerteza acerca do acesso ao mercado único, a empresa já preparou uma base de montagem alternativa na Holanda.

Estes avisos seguem a linha das ameaças da Airbus. Sem consenso quanto ao comércio, o resultado será “catastrófico” para toda a indústria britânica, diz a empresa. “Este cenário obrigaria a Airbus a reconsiderar os investimentos e o longo percurso no Reino Unido, e enfraqueceria de forma severa os esforços britânicos de manter uma indústria aeroespacial competitiva e inovadora”, disse a empresa europeia num comunicado.

A empresa refere que a “saída do país do mercado único e do espaço alfandegário sem uma transição acordada implicaria fortes interrupções na produção britânica". Na semana passada, o Central Banco de Investimento (CBI) alertou que a indústria britânica enfrentava uma potencial extinção a não ser que permanecesse na união aduaneira da União Europeia.

Downing Street disse estar "atenta" às preocupações da Airbus: "Estamos confiantes de que conseguiremos um bom acordo, que assegure um comércio tão livre e sem atrito quanto possível", disse a porta-voz de Theresa May, citada pelo Financial Times