Hospitalização de doentes com demência duplica a cada cinco anos

Doenças respiratórias e infecções do tracto urinário estão entre as principais causas que levaram ao internamento de 288 mil doentes com demência, entre 2000 e 2014.

Cuidados paliativos, Medicina paliativa
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Em média, os doentes ficam internados oito dias Daniel Rocha/Arquivo

O número de hospitalizações em doentes com demência aumentou cinco vezes no período compreendido entre 2000 e 2014. Um estudo realizado no Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), uma unidade de investigação sediada na Universidade do Porto, concluiu que naqueles 15 anos foram registadas 288 mil entradas nos hospitais públicos do país, o que equivale a cerca de 5% de todas as hospitalizações entre pessoas com 60 ou mais anos de idade.

Contas feitas, os autores do estudo concluíram que a taxa de hospitalização em doentes com demência duplica a cada cinco anos, sendo que as principais causas de hospitalização são as doenças respiratórias, como a pneumonia (21%), e as infecções do tracto urinário (9%).

Em média, os doentes ficam internados oito dias e, em mais de 95% dos casos, o recurso ao hospital faz-se em situações de emergência. “O trabalho dá-nos conta da existência de uma prevalência elevada de hospitalizações de pacientes com demência no nosso país, especialmente quando falamos de doentes com 60 ou mais anos”, explica Alberto Freitas, investigador do CINTESIS e coorientador deste trabalho.

O neurologista João Massano, médico no Centro Hospitalar de São João e co-autor desta investigação, publicada na Archives of Gerontology and Geriatrics, sustentou que “a maioria das causas de hospitalizações de pessoas com demência pode ser prevenida e gerida de forma mais eficiente em ambulatório”.

A investigação permitiu concluir que há disparidades regionais: em Vila Real, por exemplo, as taxas de hospitalização de doentes com demência são três vezes maiores em Vila Real do que em Évora e Beja”. Logo, conclui Catarina Bernardes, a autora principal do trabalho, era necessário “alocar mais especialistas em psiquiatria e neurologia nesses pontos do país”.