Instagram lança televisão online com vídeos de uma hora

A aplicação defende que não se trata de uma cópia de outros sites famosos: os vídeos são verticais e para já não há anúncios a interromper o conteúdo.

Kevin Systrom, YouTube, Instagram
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Kevin Systrom diz que no futuro os vídeos na televisão do Instagram também vão ter publicidade Reuters

O Instagram vai aumentar o tempo máximo de todos os vídeos na aplicação, de um minuto para dez. Para competir com sites como o YouTube, as contas com muitos seguidores vão poder ter vídeos de uma hora. Podem ser vistos directamente na aplicação, no Facebook (dono do Instagram desde 2012), ou numa nova aplicação que imita a televisão: a IGTV.

A novidade foi anunciada esta quarta-feira, em São Francisco, EUA. O presidente executivo da empresa, Kevin Systrom, defende que a televisão do Instagram não se trata de uma cópia de outras aplicações já no mercado.

“É diferente em vários aspectos. Primeiro, foi construida para a forma como se usa o telefone e, por isso, os vídeos ocupam todo o ecrã e são verticais”, diz Kystrom, na apresentação do produto. “E simplificámos o sistema. Tal como na televisão, a IGTV começa logo a passar vídeos. Não é preciso pesquisar nada para ver conteúdo de pessoas que seguem no Instagram, ou vídeos de outras pessoas que podem ter interesse com base nas preferências.”

O PÚBLICO instalou a aplicação: ao abri-la, é apresentado um ecrã estático de pixéis cinzentos (como as televisões analógicas) antes de começarem a surgir vários vídeos. Num menu horizontal (no fundo do vídeo) pode-se deslizar entre vídeos “para ti” (sugestões com base nos interesses e pesquisas anteriores), “a seguir”, “populares” e “continuar a ver”. Há também uma barra de pesquisa para encontrar novos temas. Para criar um vídeo, basta tocar na imagem de perfil.

PÚBLICO -
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A primeira coisa que se vê na aplicação é um ecrã estático enquanto pesquisa canais que podem ser interessantes ao utilizador

Contrariamente ao YouTube, a nova aplicação do Instagram ainda não autoriza anúncios no meio dos vídeos. Systrom, porém, admite que é uma questão de tempo e que a empresa pretende partilhar a receita com os criadores dos vídeos, como já acontece no YouTube. Porém, as marcas já podem criar canais para publicar os seus próprios vídeos e anúncios.

De acordo com dados do think thank Pew Research Center, 85% dos adolescentes norte-americanos (entre os 13 e os 17 anos) usam o YouTube. Está à frente do Instagram por 13 pontos percentuais. 

Desde que foi lançado em 2004, o YouTube (comprado há 12 anos pelo Google) já acumulou 1,8 mil milhões de utilizadores. É um número que o Instagram, que nasceu muito mais tarde, em 2010, quer ultrapassar. Esta semana atingiu a marca dos mil milhões de utilizadores.