Estudo mostra impacto económico positivo da concessão de asilo

Economistas franceses analisaram 30 anos em países europeus, Portugal incluído. E garantem que refugiados não são um fardo económico para os países de acolhimento. Pelo contrário, contribuíram para aumentar as receitas líquidas em cerca de 1%.

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Reuters/SRDJAN ZIVULOVIC

Os requerentes de asilo que se deslocam para a Europa reduziram o desemprego e contribuíram para dinamizar as economias dos países de acolhimento. E não sobrecarregaram as finanças públicas, asseguraram cientistas.

Depois de analisarem os dados económicos e relativos às migrações dos últimos 30 anos, uma equipa de economistas franceses liderada por Hippolyte d’Albis, da Escola de Economia de Paris, concluíu num estudo publicado na quarta-feira na Science Advances, que os requerentes de asilo melhoraram o Produto Interno Bruto e aumentaram as receitas líquidas em cerca de 1%.

De acordo com este estudo – que incluiu dados de Portugal, além da Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Irlanda e Espanha, entre outros países –, os requerentes de asilo começaram a contribuir mais para o PIB dos países de acolhimento após três a sete anos de permanência.

"Por exemplo, se houver um migrante por cada 1000 habitantes, o PIB aumenta em média 0,17% por habitante imediatamente e pode crescer ate 0,32% no segundo ano. A taxa de desemprego baixa 0,14 pontos. Fomos surpreendidos pela clarexa destes resultados", afirmou Hippolyte d’Albis, o principal autor, numa curta entrevista à revista francesa L'Obs.

Os refugiados levam mais tempo a ter um efeito positivo na economia dos países de acolhimento do que os migrantes, segundo o estudo, mas contribuem mais pagando impostos do que aquilo que o Estado gasta com eles, entre outros efeitos, explica um comunicado de imprensa do Centro Nacional de Investigação Científica francês.

Este estudo surge numa altura em que se agudizam as hostilidades face à entrada de migrantes na Europa, após a crise de 2015, quando mais de um milhão de refugiados provenientes do Médio Oriente, da Ásia e África chegaram à Europa.

O relatório anual do Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) divulgado terça-feira mostrou que o número global de refugiados cresceu 2,9 milhões em 2017, fixando-se num recorde de 25,4 milhões.

De acordo com os economistas franceses, que se debruçaram  sobre os dados relativos ao período temporal entre 1985 e 2015, os requerentes de asilo, – ou seja, imigrantes que demonstram medo de serem perseguidos nos seus países de origem –, estão longe de serem um fardo para quem os acolhe. “O cliché que equipara a imigração internacional a um fardo para os países de acolhimento pode ser desfeito”, escreveram os economistas do Centro Nacional Francês de Investigação Científica, da Universidade de Clermont-Auvergne e da Universidade Paris-Nanterre.

A Grécia, porta de entrada na Europa da maior parte dos migrantes que fugiram da guerra civil na Síria, não foi incluída neste estudo, porque os dados fiscais anteriores a 1990 não estavam disponíveis.

Citado pela Reuters, Chad Sparber, professor associado de economia na Colgate University, nos Estados Unidos, sublinhou que este estudo funciona como “um lembrete” de que os argumentos económicos contra a abertura de portas aos migrantes não têm adesão à realidade.

Sparber reconheceu, contudo, que a entrada massiva de imigrantes pode ser percepcionada negativamente pelos nacionais dos diferentes países de acolhimento. “Há pessoas que perdem ou sofrem”, declarou, para defender uma “imigração em equilíbrio”.