E se fôssemos à biblioteca ver um filme?

É possível, a partir desta quinta-feira. As bibliotecas Almeida Garrett, no Porto, e de Marvila, em Lisboa, transformam-se em videotecas e disponibilizam 21 documentários europeus que podem ser visionados, gratuitamente, em postos próprios.

2017 Festival de Cinema de Doclisboa, Portugal
Foto
I Don't Belong Here, de Paulo Abreu, é um dos 21 documentários disponíveis na videoteca DR

A partir desta quinta-feira, as bibliotecas Almeida Garrett, no Porto, e de Marvila, em Lisboa, deixam de oferecer apenas livros e passam a oferecer também cinema. Ao abrigo do projecto Audiovisual Access Agency (AVA), 21 filmes documentais — em formato de curta e longa-metragem — podem agora ser visionados, gratuitamente, em computadores instalados nestas bibliotecas.

O AVA estabelece parcerias entre festivais de cinema europeus e bibliotecas públicas, criando assim uma relação entre duas comunidades distintas. Mónica Guerreiro, directora municipal de Cultura e Ciência da Câmara do Porto, explicou, na apresentação do projecto na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, que a ideia é estimular “o interesse e o acesso a cinematografias variadas, indo ao encontro de novos públicos e possibilitando novas formas de ver e descobrir o cinema”. A convergência entre estes dois públicos permite que haja permuta de experiências e encorajamento para visitar tanto as bibliotecas como os festivais.

Promover os filmes e a educação cinematográfica como materiais de estudo, numa época em que a imagem em movimento prevalece no quotidiano de todos, é, para Cíntia Gil, directora do Doclisboa, uma das entidades promotoras deste projecto, fundamental. “Parece-nos que a combinação entre o estudo dos livros e dos filmes pode ser proveitosa e rica não só em termos de conteúdo, mas sobretudo em termos de experiências pedagógicas”, refere. Por isso, os filmes seleccionados são “provocatórios em relação ao Plano Nacional de Cinema” e servem a um público variado. Entre eles, encontram-se os portugueses Todas as Cartas de Rimbaud, de Edmundo Cordeiro, Espadim, de Diogo Pereira, I Don't Belong Here, de Paulo Abreu, O Canto do Ossobó, de Silas Tiny, Spell Reel, de Filipa César, e Quando o Dia Acaba, de Pedro Gonçalves.

“Houve um especial cuidado em escolher filmes para diversos grupos etários e escolares”, que se relacionassem com assuntos da sala de aula e que “tocassem as pessoas de uma forma universal”, explica a directora do Doclisboa. A história colonial de Portugal em África, a homoparentalidade ou as questões indígenas são alguns dos temas abordados nos filmes da nova videoteca. Para já. “Os filmes que estão no catálogo são os que estarão [disponíveis] todo o ano, mas haverá outros que, periodicamente, vão entrar”, refere Cíntia Gil.

Mas a videoteca não se esgota na biblioteca. Mónica Guerreiro revelou que, no futuro, os filmes poderão ser visionados em casa, através de uma plataforma que será disponibilizada aos leitores inscritos nas bibliotecas. Paralelamente, vai ser desenvolvido um programa educativo “com acções que estimularão a relação com os filmes e prolongarão a experiência de visualização dos filmes noutro tipo de actividade”, explica a directora municipal.

O projecto resulta de uma parceria do Doclisboa com a APORDOC — Associação pelo Documentário e é suportado pelo subprograma Media da Europa Criativa.  Começou em 2017, com sete festivais de curta-metragem, e este ano alargou o convite a mais quatro festivais de documentário europeus, incluindo o Doclisboa.

Texto editado por Inês Nadais