Há mais três arguidos, incluindo o autarca de Figueiró e o ex-presidente de Castanheira

Número de arguidos subiu para 13, segundo a procuradoria da comarca de Leiria.

Pedrógão Grande, junho de 2017 Portugal incêndios florestais
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A estrada que liga Castanheira de Pera a Figueiró dos Vinhos onde morreram várias pessoas Adriano Miranda

O antigo presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, e o actual presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, disseram à Lusa nesta quarta-feira que foram constituídos arguidos no inquérito que investiga os incêndios de Pedrógão Grande. "Confirmo que fui constituído arguido", afirmou Fernando Lopes, numa curta declaração à Lusa, depois de se saber que o número de arguidos no inquérito que investiga os incêndios de Pedrógão Grande, no norte do distrito de Leiria, aumentou para 13.

Fernando Lopes liderou durante 12 anos o município de Castanheira de Pera, o mais pequeno e menos populoso do distrito de Leiria. Devido à lei de limitação de mandatos, ficou impedido de se recandidatar nas mais recentes eleições autárquicas.

Também o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, confirmou ter sido constituído arguido, adiantando que não falará sobre o assunto até à conclusão do inquérito. Jorge Abreu foi reeleito em Outubro de 2017 para um segundo mandato num concelho que, juntamente com Castanheira de Pera e Pedrógão Grande, foi um dos mais afectados pelos incêndios de Junho de 2017. Morreram 66 pessoas.

Fernando Lopes e Jorge Abreu foram constituídos arguidos na terça-feira, em Leiria, dia em que a procuradoria da Comarca de Leiria anunciou que o número de arguidos tinha aumentado para 13. "No âmbito do inquérito onde se investigam as circunstâncias que rodearam os incêndios de Pedrógão Grande foram, esta terça-feira, constituídos três arguidos. Assim, o processo tem, neste momento, 13 arguidos, todos pessoas singulares", refere uma nota publicada no site.

A mesma nota adianta que, neste inquérito, dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Acção Penal de Leiria, "estão em causa factos susceptíveis de integrarem os crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais por negligência".

"Tal como foi oportunamente informado, o inquérito encontra-se em avançado estado de investigação, tendo já sido realizadas inúmeras diligências, sobretudo de carácter pericial, e ouvidas mais de duas centenas de testemunhas", acrescenta a procuradoria, explicando que neste inquérito, que se encontra em segredo de justiça, o Ministério Público é coadjuvado pela Polícia Judiciária.

Entre os arguidos estão o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnaut, e o segundo comandante distrital de Leiria, Mário Cerol, além de pessoas ligadas à área de gestão de combustíveis, entre outras.

Números oficiais contabilizam 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que acabou também por morrer. Houve ainda mais de 250 feridos.