Crónica de jogo

A primeira vitória africana é do Senegal

No último jogo da primeira jornada do Mundial 2018, senegaleses derrotam Polónia e partilham a liderança do Grupo H com o Japão.

A festa senegalesa após o golo
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A festa senegalesa após o golo LUSA/YURI KOCHETKOV

Os exemplos não são muitos, mas são suficientes. O Senegal gosta de entrar com estrondo nos campeonatos do mundo. Aconteceu em 2002, com uma vitória sobre a França campeã em título, em Seul, e aconteceu nesta terça-feira em Moscovo, triunfando por 2-1 sobre a Polónia, em jogo do Grupo H que fechou a primeira jornada do Mundial 2018. Não só foi mais um resultado relativamente inesperado face a um teórico favorito do agrupamento, mas também foi a primeira vitória de uma selecção africana no torneio, depois dos desaires de Egipto, Nigéria, Tunísia e Marrocos.

Esse Senegal de 2002 é considerado uma das melhores selecções africanas de sempre em Mundiais e uma de apenas três do continente que chegaram aos quartos-de-final (a par dos Camarões em 1990 e do Gana em 2010) — e tinha jogadores como El Hadji Diouf ou Salif Diao. Mas o ponto em comum entre essa selecção e esta chama-se Aliou Cissé, que era o capitão no Mundial asiático e que é o treinador senegalês na Rússia. E Cissé, que é o técnico mais novo (42 anos) e aquele que tem o ordenado mais baixo entre os 32 do Mundial, quer fazer história no futebol africano. Num agrupamento no qual não é um favorito ao apuramento, está a começar bem.

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Não houve uma superioridade óbvia de nenhuma das selecções em campo e nenhuma das “estrelas” estava particularmente inspirada. Nem o polaco do Bayern Robert Lewandowski nem o senegalês do Liverpool Sadio Mané, e, durante mais de meia hora não houve, uma jogada remotamente parecida com uma oportunidade de golo. E também não parecia ter qualquer perigo o remate de Idrissa Gueye aos 37’. A bola ia para fora, mas, no seu caminho estava Thiago Cionek e a trajectória mudou, enganando o guarda-redes Szczesny. A FIFA acabou por considerar que foi autogolo deste central polaco de origem brasileira (nasceu em Curitiba) e que teve uma breve e anónima passagem pelo futebol português (esteve seis meses no Bragança).

Os polacos ficaram atordoados e só na segunda parte conseguiram responder. Numa das suas raras aparições no jogo, Lewandowski aproveitou um erro do meio-campo senegalês e avançou para a baliza de Khadim, mas foi derrubado antes de entrar na área. Foi o capitão polaco a assumir o livre directo, mas o guardião africano mostrou elasticidade e defendeu.

Pouco depois, e num lance que promete dar que falar, o Senegal chegou ao 2-0. A jogada começou num erro de Krychowiak aproveitado por Niang, que, depois, chegou primeiro à bola que o guarda-redes polaco e fez golo. O que pode dar polémica é que Niang estava a ser assistido fora do relvado e não é claro que o árbitro lhe tenha dado autorização para entrar.

Perto do final, Krychowiak reduziu para 2-1, num cabeceamento no limite da pequena área após livre, mas era demasiado tarde para os polacos, que agora terão uma espécie de final antecipada contra a Colômbia, no domingo.