Negrão teme repetição de “problemas graves” nos incêndios

Só cerca de metade da bancada compareceu no arranque das jornadas parlamentares na Guarda

Jornadas parlamentares do PSD começaram com a bancada mal representada
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Jornadas parlamentares do PSD começaram com a bancada mal representada

Numas jornadas parlamentares dedicadas ao interior e no day after do primeiro aniversário dos incêndios de Pedrógão Grande, o líder da bancada do PSD Fernando Negrão apontou “falhas” ao Governo na preparação do combate aos fogos. Depois de ouvir queixas de responsáveis dos bombeiros – as “mesmas” que recebeu há anos enquanto deputado – Negrão concluiu que “os problemas de base não foram resolvidos”. E deixou a pergunta no ar: “Será que podemos estar a correr o risco de passar o que passámos há um ano?”.

No primeiro dia das jornadas parlamentares, as primeiras do PSD na Guarda e na era de Rui Rio, Fernando Negrão admitiu mesmo que se podem “propiciar condições semelhantes” às do ano passado nos incêndios que provocaram mais de uma centena de mortos. O líder da bancada social-democrata falava durante uma reunião com responsáveis dos bombeiros e da protecção civil do distrito, que se queixaram de falta de equipamento e do preço dos combustíveis. E pediram aos deputados “coragem” para legislar sobre a matéria. Coragem, sim, mas “não é a atirar leis” para cima dos problemas que eles se resolvem, argumentou Fernando Negrão, endurecendo o tom.

O deputado deixou algumas perguntas no ar – nomeadamente por que razão não estavam representados na reunião os GIPS (Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro) – mas já não pôde ouvir as respostas por ter de seguir para o ponto seguinte da agenda, uma visita à maternidade local. Foi a deputada e ex-vice presidente do partido Teresa Morais que, na fase das perguntas, lembrou que o PSD, ainda em 2017 com Passos Coelho, apresentou um pacote de medidas de apoio ao combate aos incêndios que foram chumbadas pela maioria de esquerda. Em resposta às suas perguntas, a deputada ficou a saber que os bombeiros não receberam dinheiro de contas solidárias. 

À saída da reunião, o líder da bancada ‘laranja’ foi questionado pelos jornalistas sobre o seu tom dramático em torno dos incêndios. “Podemos voltar a ter problemas graves nos incêndios”, respondeu, sublinhando no entanto que “ninguém quer que isso aconteça”.  É certo – admitiu – que há uma melhoria face ao ano passado. “As pessoas estão mais alerta”.

De manhã, na abertura das jornadas, onde estavam apenas 40 deputados, perto de metade da bancada, Fernando Negrão acusou o Governo de falhar quer nos compromissos de reconstrução de casas quer na entrega de equipamentos. “Parece não ter aprendido a lição do ano passado”, apontou. Só que, momentos antes, Álvaro Amaro, presidente da câmara da Guarda e líder dos Autarcas Sociais-Democratas, apresentou uma visão mais optimista: “Oxalá que não arda nada, mas todos sabemos que vai arder menos. Tem razão o senhor Presidente da República. O país está mais bem preparado”.

Na sua intervenção, o líder da bancada falou de saúde – apontando falhas com base em números – e abriu a porta a que o PSD argumente contra a contagem total do tempo de carreira dos professores, numa posição mais próxima da que é assumida pelo Governo. O discurso mostrou uma vertente dupla: por um lado, o PSD declara-se disponível para um “amplo consenso” sobre o interior e é com esse espírito quer levar já a debate no Parlamento (dia 27) o pacote de incentivo à natalidade, por outro, já se queixa de que o Governo não cumpriu o compromisso firmado no acordo da descentralização. Uma duplicidade que o líder do PSD poderá confirmar esta terça-feira no encerramento das jornadas, no único momento em que Rio estará com os deputados.