EUA

A próxima aventura de Musk é no subsolo

O patrão da Tesla quer ligar Chicago ao seu aeroporto internacional através de viaturas eléctricas sem condutor que vão circular num novo túnel. Mais do que tecnológico, o desafio será sobretudo financeiro.
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Elon Musk Reuters/Lucy Nicholson

Tem sido um ano preenchido para o multimilionário sul-africano Elon Musk. Em Fevereiro, colocou um carro em órbita a bordo do foguetão mais potente em actividade, o Falcon Heavy. Em Maio, mês em que tornou público o namoro com a música canadiana Grimes, comprou uma guerra com a imprensa ao acusar os jornalistas que investigam a segurança e as finanças da Tesla de estarem conluiados com a indústria petrolífera. Na terça-feira, anunciou o despedimento de 9% dos trabalhadores da sua empresa de carros eléctricos, que continua a não descolar dos prejuízos. E, na quinta-feira, apareceu ao lado do mayor de Chicago, Rahm Emanuel, para anunciar a sua mais recente aventura: a construção de um túnel entre o centro da cidade norte-americana e o aeroporto internacional O’Hare, através do qual prevê transportar milhares de passageiros em viaturas eléctricas sem condutor.

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Não é uma empreitada com a mesma espectacularidade de disparar um automóvel para o espaço, mas o que poderá (ou não) acontecer no subsolo de Chicago representa um enorme desafio técnico e financeiro. A Boring Company de Musk propõe construir um túnel com cerca de 27 quilómetros e encurtar de 45 para 12 minutos o tempo de ligação entre o aeroporto e a terceira maior cidade dos EUA. O transporte dos passageiros será feito em viaturas automáticas, assentes em trilhos magnéticos, que vão transportar 16 pessoas cada a velocidades de até 240km/h. Com um carro a sair em cada direcção a cada 30 segundos, a empresa prevê transportar 4000 passageiros por hora nos dois sentidos, 20 horas por dia. 

Se Musk já provou ser capaz de cumprir e superar metas tecnológicas, maiores dúvidas existem em relação aos custos e à viabilidade financeira da operação. A Boring Company estima gastar 861 milhões de euros, sem usar um cêntimo do erário. Em troca, ficará com todo o lucro da operação. Mas existem sérias dúvidas sobre se é possível construir a estrutura com semelhante orçamento. O site tecnológico The Verge, citando especialistas em urbanismo e transportes, lembra que a extensão da linha 14 do Metro de Paris custou 241 milhões de euros por quilómetro, enquanto a linha da Segunda Avenida do Metro de Nova Iorque ficou em 1346 milhões de euros por quilómetro. 

Em Chicago, a Boring Company diz que vai conseguir baixar os custos de duas formas: reduzindo o diâmetro do túnel cavado e aumentando a eficiência das máquinas tuneladoras, que serão integralmente automatizadas e movidas a electricidade. 

Na quinta-feira, Musk admitiu que esta será uma empreitada “difícil” e pediu tréguas aos críticos: “Eu espero que nos apoiem desta vez. Porque se formos bem-sucedidos, vai ser óptimo para a cidade. E se falharmos, bom, então eu e outros tipos perderemos imenso dinheiro.”