Se não formos capazes, falhámos como país

Até ao fim da próxima legislatura se perceberá se somos ou não capazes de corrigir as assimetrias existentes, de ultrapassar as desigualdades que teimam em permanecer. É pois um desafio que começa na ponta final desta legislatura e que se prolonga para a próxima.

Passou um ano e à distância de um ano esta é a ocasião para olhar para o passado, mas sobretudo sonhar com outro futuro. Sonhar e concretizar outro futuro.

E daí a ideia de que das cinzas renasce a vida. Olhando para o passado, importa retirar as lições desse passado no que falhou. Falhou por razões estruturais, falhou por razões conjunturais, falhou por motivos que se prendem com sistemas, orgânicas, políticas. Falhou também, eventualmente, no que diz respeito à intervenção dos seres humanos, concretos. 

Mas olhando para o futuro, das cinzas tem de renascer a vida. Renascer a vida não é só este ano não se repetir o que aconteceu no ano passado. Neste este ano, nem no próximo ano, nem nos anos próximos. É muito mais do que isso. É olhar para aqueles portugáis desconhecidos, e concretamente aqui um deles, em Outubro falaremos de outros, que estão tão longe do pensamento daquilo que tem sido o Portugal dominante. Dominante na comunicação social, dominante na economia, dominante na sociedade, dominante na política. 

E essa correcção tem um tempo muito limitado para se concretizar. Até ao fim da próxima legislatura se perceberá se somos ou não capazes de corrigir as assimetrias existentes, de ultrapassar as desigualdades que teimam em permanecer. É pois um desafio que começa na ponta final desta legislatura e que se prolonga para a próxima. Se formos capazes de fazer reviver até 2023 o que importa que reviva, Portugal será diferente. Se não formos capazes perdemos uma oportunidade histórica e condenamos alguns portugáis a serem muito ignorados, muito esquecidos, muito menosprezados e isso significa que falhámos como país.

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