McDonald’s vai deixar de usar palhinhas de plástico no Reino Unido

A medida será implementada nos 1361 restaurantes da cadeia de fast food no Reino Unido e na Irlanda. Alternativas sustentáveis ao plástico serão também testadas nos Estados Unidos, Noruega e França.

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reuters

A McDonald’s anunciou, nesta sexta-feira, que vai substituir as palhinhas de plástico por uma alternativa em papel em todos os seus 1361 restaurantes no Reino Unido e Irlanda, a partir de Setembro, e o processo ficará concluído em 2019.

A medida surgiu depois de clientes e ambientalistas terem pressionado a empresa para que implementasse uma solução mais ecológica em relação ao uso de plásticos descartáveis, nomeadamente da organização não-governamental SumOfUs. "Espelhando o amplo debate público [actual], os nossos clientes informaram-nos que queriam ver uma mudança em relação às palhinhas, mas para o fazermos sem comprometer a sua experiência geral ao visitar os nossos restaurantes", explicou Paul Pomroy, presidente-executivo da McDonald’s no Reino Unido e Irlanda, de acordo com o diário britânico Guardian.

A contestação pública levou à realização de alguns testes experimentais em restaurantes seleccionados, nos últimos dois meses. Como foram bem sucedidos, a McDonald’s anunciou então que iria substituir as palhinhas de plástico por uma opção em papel em todos os estabelecimentos na Irlanda e no Reino Unido – onde são usadas cerca de 1,8 milhões de palhinhas de plástico por dia. 

Michael Gove, secretário de Estado do Ambiente, mostrou-se satisfeito com o anúncio, afirmando, segundo a estação britânica BBC News, que esta é uma "contribuição significativa" para a protecção do meio ambiente e "um bom exemplo para outras grandes empresas". A McDonald’s – empresa sediada em Chicago que conta com mais de 36 mil restaurantes em todo o mundo – anunciou ainda que irá testar alternativas ao plástico em restaurantes seleccionados nos Estados Unidos, França, Suécia e Noruega, ainda este ano. Noutros países, como a Malásia, o diário USA Today avança que será implementada uma outra solução: as palhinhas só serão distribuídas caso o cliente o solicite.

No Reino Unido, várias outras empresas seguiram o mesmo caminho, como é o caso da cadeia de supermercados Waitrose, a multinacional do café Costa Coffee ou a cadeia de restaurantes Pizza Express – que também anunciaram a substituição das palhinhas de plástico por opções biodegradáveis. Em Abril deste ano, o Governo britânico propôs a proibição das palhinhas de plástico e cotonetes em Inglaterra e, em Maio, Bruxelas apresentou também uma proposta para banir a venda destes e outros produtos de plástico descartáveis (incluindo copos, garrafas de plástico e balões) como parte de um conjunto de medidas para reduzir a poluição marinha. De acordo com os dados da Comissão Europeia, apenas 30% dos resíduos plásticos são recolhidos anualmente para serem reciclados.

As opiniões dividem-se

A maioria das palhinhas usadas nas bebidas é feita de plásticos como o polipropileno e o poliestireno. Caso não sejam reciclados, estes materiais demoram centenas de anos a decompor-se, acabando por infestar as praias e os oceanos. A preocupação generalizada face ao impacto do plástico no meio ambiente ganhou novos contornos quando Rich Horner divulgou um vídeo de um mergulho num mar da Indonésia, na ilha de Nusa Penida, repleto de lixo e plástico. O vídeo, que se transformou numa campanha ecológica, alertou para os danos que o plástico pode causar à vida marinha. Exemplo disso foi o resgate de uma tartaruga na Costa Rica, em 2015, que foi encontrada com uma palhinha de plástico de cerca de dez centímetros presa no nariz, o que gerou indignação nas redes sociais.  

A notícia sobre o abandono do uso de plásticos descartáveis foi recebida com agrado pelos ambientalistas, com Louise Edge, activista da Greenpeace no Reino Unido, a afirmar que esta medida antecipa uma potencial proibição do Governo e que o facto de uma empresa de tamanha dimensão como a McDonald’s ter reunido esforços neste sentido "significa que o movimento terá impacto", cita o diário New York Times. Eric Goldstein, advogado do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais – organização de activismo ambiental com sede em Nova Iorque – mostrou ser da mesma opinião e acrescentou que a iniciativa reflecte a crescente onda de preocupação ambiental em todo o mundo. "Pode-se dizer que deveria ter sido feito mais cedo, mas é certamente melhor tarde do que nunca", disse Goldstein ao USA Today.

Porém, a proibição das palhinhas de plástico não é consensual. Tanni Gray-Thompson, membro do Parlamento britânico e ex-atleta paralímpica, defende que estes utensílios de plástico permitem que as pessoas com deficiências motoras sejam capazes de ingerir bebidas de forma autónoma e que as alternativas de papel nem sempre são adequadas ou seguras, de acordo com a BBC News. Também a Tetra Pak – que produz embalagens alimentares – adoptou a mesma posição, garantindo que as palhinhas de plástico têm uma função "vital" nas embalagens e que não devem ser banidas.

O documentário Straws, publicado em 2017, mostra, em 30 minutos e com a narração de Tim Robbins, como pessoas, associações e empresas estão a tentar reduzir o uso das palhinhas de plástico. Estima-se que, todos os anos, 13 milhões de toneladas de plásticos são despejadas nos oceanos.

Texto editado por Maria Paula Barreiros

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