Espanha tem talento mas não tem o melhor do mundo

Três golos de Cristiano Ronaldo garantiram o empate a Portugal no arranque do Mundial. Numa partida emocionante, com seis golos, valeu a vontade do madeirense para contrariar a fúria espanhola.

Cristiano Ronaldo
Fotogaleria
Cristiano Ronaldo LUSA/PAULO NOVAIS
,
Fotogaleria
Pepe Reuters/HANNAH MCKAY
Regras Internacionais de Futebol, Campeonato
Fotogaleria
Reuters/CARLOS BARRIA
Futebol gaélico
Fotogaleria
LUSA/MOHAMED MESSARA
Esporte de equipe, torneio, competição
Fotogaleria
LUSA/PAULO NOVAIS
Vance Šikov
Fotogaleria
Reuters/FRANCOIS LENOIR
Cristiano Ronaldo, Diego Costa, Nacho, Copa do Mundo de 2018, Seleção Nacional de Portugal, Espanha, Futebol
Fotogaleria
LUSA/FRIEDEMANN VOGEL
Leon Goretzka, Futebol, Estádio Olímpico Fisht, Copa das Confederações FIFA 2017, Sochi, Copa do Mundo 2018, Seleção Alemã de Futebol, Final da Copa do Mundo, Copa do Mundo FIFA 2014, Seleção Argentina de Futebol
Fotogaleria
LUSA/MOHAMED MESSARA
Futebol gaélico, Estádio específico de futebol, Tackle, Torneio
Fotogaleria
LUSA/MOHAMED MESSARA
Carlos Andrés Sánchez, River Plate do Club Atlético, Boca Juniors, Copa Libertadores 2015, Estudiantes da Prata, Rugby Sevens
Fotogaleria
LUSA/Javier Etxezarreta

O que é que fez vir de Moscovo o pequeno Vova Pesotsky e o seu pai? O que fez viajar de Deli, na Índia, os colegas de trabalho Sudy Curatui e Natush Relhan? E muitos outros adeptos do planeta futebol que aterraram em Sochi esta sexta-feira? Cristiano Ronaldo. O artista, o melhor do mundo, que pode ter dado um passo gigantesco para manter a coroa. Três golos da super-estrela portuguesa evitaram a derrota da selecção nacional frente à Espanha, na partida inaugural do Mundial da Rússia que foi também um hino ao desporto que une o globo.

E o número três é para reter neste encontro de grandes sensações. Bastaram três minutos para Ronaldo inaugurar o marcador, naquele que é o terceiro golo mais rápido da história da competição. Três minutos demorou a Espanha a dar a volta ao marcador, na segunda parte (55’ e 58’), quando perdia por 2-1. E três minutos faltavam para o final do tempo regulamentar quando surgiu o derradeiro golpe de teatro de CR7 a empatar o derby ibérico.

Ver ficha de jogo

No Estádio Olímpico de Fisht, com 44 mil espectadores nas bancadas, sentiram-se pouco as ondas de choque do terramoto espanhol desencadeada pela saída turbulenta do seleccionador Julen Lopetegui. Não pairou o fantasma do suicídio sportinguista em Lisboa, que deixou alguns jogadores de Fernando Santos provisoriamente sem clube. Em Sochi jogou-se à bola. E neste particular, a selecção espanhola é sinónimo de arte.

Sem dúvida é uma equipa melhor do que a portuguesa colectiva e individualmente. Tem uma qualidade técnica impressionante e volta a lembrar a "roja" que deslumbrou o mundo entre 2008 e 2012, quando conquistou dois títulos europeus e um mundial pelo meio. Tudo sob a batuta de um Iniesta que continua, aos 34 anos, a ser um desequilibrador que decide uma partida a qualquer momento. Mas a lista de artistas é longa e estende-se ao banco.

Mas não tem Cristiano Ronaldo. E isso fez toda a diferença nesta partida. O português empurrou literalmente Portugal e esteve a léguas de todos os seus companheiros. Sozinho provocou o erro de Nacho, seu companheiro no Real Madrid, que se estreou em partidas oficiais. Derrubou o madeirense dentro da sua área e a cobrança do penálti foi uma formalidade para o melhor do mundo (3’).

Mas não foi só Nacho a tremer com Ronaldo. O experiente guarda-redes De Gea ofereceu um grande frango ao remate do atacante à entrada da área quando deixou escapar para as redes uma bola que parecia controlada. Um “pollo” como dizem os espanhóis em cima do intervalo (44’), que voltou a dar vantagem ao conjunto de Fernando Santos, que se deixara empatar vinte minutos antes, com um golo de Diego Costa, precedido de falta violenta sobre Pepe, que o vídeoárbitro não sancionou, apesar dos protestos portugueses.

A fúria espanhola, que saiu para o intervalo em desvantagem mas com uma posse de bola de 61%, fez-se sentir pouco depois do reatamento. Rondou a área portuguesa como um lobo esfomeado até surgirem dois golpes que foram quase fatais para Portugal. Diego Costa bisou à boca da baliza, após um livre de David Silva e o improvável Nacho redimiu-se com um potente remate de primeira que ainda embateu no poste antes de entrar. Patrício nada podia fazer.

A "roja" colocava-se pela primeira vez em vantagem no marcador e entrava na sua zona de conforto. Os espanhóis continuaram a circular a bola com a qualidade e o estilo que se lhe reconhece e Portugal ficava a ver e a correr atrás dela, recuando perigosamente. Fernando Santos apostou tudo, fazendo entrar João Mário (68’), Quaresma (69’) e André Silva (80’) para procurar mais presença na área. Mas voltou a ser a pérola portuguesa a fazer levantar um estádio em forma de concha nas margens do mar Negro.

Provocou a falta de Piqué em zona frontal. Agarrou na bola e cobrou o livre directamente ao canto superior esquerdo da baliza de De Gea. O melhor guarda-redes da Premier League acompanhou a bola com os olhos e irá contar o que viu a José Mourinho, seu treinador no Manchester United. E pior na fotografia não ficou, porque CR7 falhou por centímetros o golo do triunfo num cabeceamento já nos descontos. Uma única falha que ninguém irá recordar.

O empate ibérico, entre os dois grandes candidatos do Grupo B aos oitavos-de-final, deixou ainda particularmente feliz outro português. Carlos Queiroz que lidera inusitadamente a classificação, após a vitória do seu Irão contra Marrocos (1-0). Ele que nem tem uma boa relação com Cristiano Ronaldo.

O pequeno Vova Pesotsky, de 10 anos, regressou a Moscovo com a sua camisola de Portugal com o número 7 mais feliz do que nunca. Tem já bilhetes para os próximos dois jogos.