Governo impõe "austeridade" nas viagens ao Mundial 2018

O Executivo socialista quer evitar casos como os registados no Euro 2016, com as viagens de deputados e dirigentes do Governo pagas pela Galp.

Rocha Andrade foi um dos secretários de Estado demitidos
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Rocha Andrade foi um dos secretários de Estado demitidos na sequência das polémicas viagens ao Euro 2016 Miguel Manso

Dois anos, menos três secretários de Estado e um assessor do primeiro-ministro depois, o Governo de António Costa impôs austeridade para as viagens ao Mundial de 2018, que arranca nesta quinta-feira, na Rússia. De acordo com o Jornal de Negócios, o executivo socialista garante estar a cumprir o Código de Conduta aprovado no Conselho de Ministros em 2016, após as polémicas relacionadas com o campeonato europeu relacionadas com as viagens pagas pela Galp.

Ao Jornal de Negócios, o Ministério das Finanças garantiu que nenhum membro do gabinete vai ao Mundial. A mesma resposta chegou do gabinete da ministra da Presidência e da Modernização Administrativa. No entanto, diz o jornal de economia que os restantes ministérios escusaram-se a indicar se algum membro iria marcar presença na Rússia.

De acordo com o Código de Conduta, os membros do Governo, dos gabinetes e dirigentes superiores da Administração Pública não podem “aceitar, a qualquer título, convites de pessoas singulares e colectivas privadas, nacionais ou estrangeiras, e de pessoas colectivas públicas estrangeiras, para assistência a eventos sociais, institucionais ou culturais, ou outros benefícios similares, que possam condicionar a imparcialidade e integridade do exercício físico das suas funções”. Além disso, fixa um limite máximo de 150 euros por ano para o valor dos convites.

Apesar das restrições, os principais patrocinadores garantem que vão manter a política de convites. Entre eles a Galp, escreve o Jornal de Negócios. “Os convites endereçados pela Galp aos seus clientes e parceiros cumprem a lei e está conforme os códigos de ética e de conduta, tanto da Galp como das entidades convidadas”, disse ao Jornal de Negócios. O mesmo acontece com a Sociedade Central de Cervejas, patrocinadora da selecção através da Sagres. De acordo com os dados recolhidos pela Cision Portugal, o retorno mediático dos principais patrocinadores varia desde os 32 milhões de euros em 2008 aos 115 milhões conseguidos no Euro 2016, ano em que se sagrou campeão, pela primeira vez. Caso Portugal se torne campeão do mundo, o retorno poderá chegar aos 120 milhões de euros. Caso a selecção se fique pela fase de grupos o retorno não deve ultrapassar os 75 milhões de euros. Ao retorno mediático acresce o impacto na economia nacional, que, caso conquiste o título de campeão pode dar aos cofres portugueses um impacto de 678 milhões de euros, estima o director executivo do Instituto Português de Administração e Marketing, Daniel Sá.

O Galpgate, nome atribuído à investigação ao caso das viagens pagas pela empresa no Euro 2016, conta com 11 arguidos. No grupo constam o presidente da Galp, Carlos Gomes da Silva, o administrador da petrolífera, Carlos Costa Pinto. A estes juntam-se os três secretários de Estado demitidos: Rocha Andrade (Assuntos Fiscais), João Vasconcelos (indústria) e Jorge Costa Oliveira (Internacionalização) e o antigo assessor económico o primeiro-ministro, Vítor Escária.

Aos membros socialistas juntaram-se dois dirigentes do PSD acabaram envolvidos na polémica: Luís Montenegro e Hugo Soares, além do deputado Cristóvão Norte. Para além dos secretários de Estado e dos deputados, também dois autarcas viajaram também até França: os presidentes das câmaras de Sines (Nuno Mascarenhas, do PS) e de Santiago do Cacém (Álvaro Beijinha, da CDU).