Governo desaconselha permanência em zonas do norte de Moçambique

Os ataques são "alegadamente praticados por um movimento insurgente de matriz islâmica", diz o executivo português.

AK-47, Moçambique
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Grant Neuenburg / Reuters

O Governo português aconselhou nesta quarta-feira os viajantes a evitarem a permanência em diversas zonas da província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, afectadas por ataques atribuídos a "um movimento insurgente de matriz islâmica". O executivo recomenda que se restrinjam as deslocações ao imprescindível.

O aviso aos viajantes portugueses foi actualizado no portal da Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Segundo o aviso, "a instabilidade e insegurança" na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, "impõem cuidados de segurança adicionais", uma vez que "têm sido noticiados vários ataques e incidentes graves" na região, nomeadamente nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Palma, Nangade, Quissanga e Pemba.

Os ataques são "alegadamente praticados por um movimento insurgente de matriz islâmica". Face a este cenário, é desaconselhada "a permanência nas áreas mais afectadas" e recomendado que "as deslocações se limitem ao imprescindível", devendo, em caso de dúvida, "ser estabelecido um contacto com as entidades consulares".

A vila de Mocímboa da Praia e aldeias do meio rural da província de Cabo Delgado têm sido alvo de ataques de grupos armados desde Outubro de 2017, causando um número indeterminado de mortes e deslocados.

Um estudo divulgado recentemente em Maputo aponta a existência de redes de comércio ilegal na região e a movimentação de grupos radicais islâmicos, oriundos de países a norte, como algumas das causas da violência.

Na terça-feira, residentes e autoridades locais disseram à Lusa que grupos armados que têm atacado aldeias no norte de Moçambique, provocando vários mortos, eram suspeitos de ter assassinado mais três pessoas.